segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Sobre o ensino, sobre a educação

MORDAÇA INVISÍVEL

Eu lembro bem de uma professora nos tempos da escola, a mais radical de todas, no qual não podíamos abrir a boca para nada, passávamos a aula toda como estátuas, um olhar desconfiado para o lado era sinônimo de advertência, um pensar mais alto era motivo de exclusão da sala de aula, ir ao banheiro? Nunca! Não podíamos pedir, nossas bexigas quase explodiam, quando não urinávamos nas próprias calças. Lembro que ao apontar o lápis, não podíamos ir jogar a sujeira no cesto de lixo no canto da sala, tínhamos que envolver tudo numa folha de papel e somente após a aula, em uma fila indiana, jogar no lixo o que tinha que ser jogado.

Nunca demos um piu por medo. Repito, medo! Medo de sermos duramente castigados pela "bruxa", que naquele momento, não mais era a "tia".
Lembro de várias professoras boas, no sentido literal da palavra. Bons professores que sabiam lidar com os alunos. Não pensem que eram professores desleixados, não, eles realmente eram bons professores. Reprimiam, mas sem serem repressores. Professores que mantinham nosso interior inquieto, mesmo sendo crianças para entender certas coisas, mantinham a nossa chama acesa em busca de respostas.

Mas infelizmente, a grande maioria eram ditadores transvestidos de educadores, nos ditavam as regras sem poderem ser questionados, da pré-escola ao término do ensino fundamental, nos conduziam de maneira a nos "podar", de cortar pela raiz a nossa transbordante rebeldia. Rebeldia essa justificada, graças a proliferação natural de hormônios saltando da pele devido ao crescimento, ao natural descobrimento, ao "querer saber de tudo" que é invocado de cada cabeça pensante ao passo que vamos crescendo.

Fomos moldados. Todos na mesma fábrica do saber, ou melhor, na mesma fábrica de aceitar as coisas.

E o que tínhamos que fazer? Aceitar.
Aceitar o que nos era imposto, e assim "aprender" sem espaço para dúvidas, sem espaço para questionamentos. Deus me livre descrer que os Portugueses chegaram ao Brasil aos beijos com os índios, ou questionar a importância nas nossas vidas da fórmula de Báskara.
"_Fique quieto menino! Deixa de bobagens..."
Sim, sempre bobagens, é claro.

E como cobrar tanto dos professores, se eles foram moldados numa escola mais autoritária ainda?

Lembro que nos faziam rezar Ave Maria e Pai Nosso antes das aulas. Como isso? Agora vejo, olhando para trás, que até a religião nos impuseram. E aí de nós se não quiséssemos rezar, ou deixar escapar um sorriso ao inverter uma frase, como fazíamos ao cantar, obrigados, o Hino Nacional.
Fomos moldados assim. É fato histórico que as escolas sempre impuseram o seu método de ensinar, reprimindo ao máximo qualquer coisa que fugisse aos ultrapassados livros didáticos.

Saímos da escola com uma mordaça invisível.

Hoje dentro da Universidade, que eu realmente vejo os reflexos do passado escolar, tanto nos professores, como nos alunos. Muitos deles conservaram e conservam o modelo da fábrica de onde fomos moldados.
Muitos dos Mestres e Doutores professores, ainda mantém os estereótipo da época escolar, vamos dizer assim, um perfil antiquado aos dias atuais, não evoluíram com o Mundo. Abdicam ao debater com os alunos, a ouvir as suas opiniões, contra ou a favor, nas discussões de dentro da sala de aula. Mantém ainda o pulso de ferro sem abrir espaço para grandes diálogos com os estudantes, agora não mais crianças, com os hormônios no pico máximo e o sangue fervilhando nas veias por respostas, por questionamentos, e acima de tudo, por uma mudança no cenário atual.

E por que, os inteligentes professores, e não duvido mesmo das suas qualidades e capacidade, ainda mantém esse perfil tão fechado?
Pelo mesmo motivo dos professores escolares. Eles eram alunos, também foram moldados assim. E mais uma vez o medo...
O medo de perder o controle da sala de aula. Enquanto os professores mantém os alunos nas mãos, eles são o poder divino, os ditadores das salas, sem espaço para protestos do povo. O medo então, trocou de lugar. Do aluno, para o professor. O medo de perder o controle, o poder. O mesmo medo dos professores escolares.
Esse é um dos problemas em questão. Os professores, não todos, não conseguem se sentir seguros se não possuem o controle total dos seus alunos. E por isso, não conseguem "ter autoridade, sem serem autoritários". Eles precisam que todos os alunos os temem.

Um dos maiores problemas entre aluno e professor - professor e aluno, é o falta de diálogo. Sempre foi, principalmente na escola quando há, como dito antes, uma "poda" nos galhos que querem crescer demais. E o problema é transportado para as Universidades. Quando um aluno bate de frente com um professor (idéias e opiniões diferentes), há quase um colapso. Pois muitos não estão preparados para tais enfrentamentos. Resquícios estes vindos do seu próprio ensinamento, afinal, tempos atrás, era ele o amordaçado. Mas o pior ainda, é a mordaça que vem herdada do aluno...

A mordaça invisível que ainda se encontra em muitos alunos universitários, é um problema herdado ainda na escola. Moldados ao silêncio, quando o aluno se depara frente aos colegas e professores na Universidade, muitos não conseguem se comunicar, não conseguem expor suas opiniões, ou às vezes, nem apresentar um simples trabalho perante a sala de aula. Tremem de nervosos, gaguejam e não encontram palavras ao tentar expor suas idéias para os próprios colegas. Dirão: "_Isso depende da personalidade de cada um..." Também, é claro, mas muito devido a formação primitiva nos confins da infância e adolescência escolar.

A mordaça invisível ainda existe. O que vejo, são muitos alunos com idéias e opiniões definidas, debatidas em rodas de amigos, mas não expostas nas salas de aula, por medo de errarem, de falarem "bobagem", ou de discordar da opinião dos professores. E quando digo medo, não é o medo marginal, de apanhar, mas o medo intelectual, de bater de frente com o intelecto e vaidade dos professores. Medo de chocar a sua opinião com as do professor, e depois do calor da "discussão" (discussão essa necessária para o aprendizado), sentir-se prejudicado e pensar: "_Ah, agora esse professor vai querer me "ralar", me "rodar". Ou pior, quando deixam de lado as suas próprias convicções, para apenas concordar e aceitar o que o professor expõe, por pura acomodação.

Existe! É fato, eu vejo e sinto no cotidiano das salas de aula. Por isso, muitos preferem se abster, e guardar consigo suas opiniões e dúvidas, por não querer enfrentar, no melhor sentido da palavra, os professores com seus questionamentos.
É a mordaça invisível ainda presente.
Aos desamordaçados, que conseguiram se desenvencilhar do silêncio, e naturalmente, como tem que ser, expõem suas idéias perante todos, e questionam os professores sobre os assuntos que lhe cabem desconfianças e dúvidas, e que não se calam no obscuro do seu ser, são muitas vezes estereotipados de radicais, polêmicos, e o pior de tudo, denominados importunos. Por serem assim, por serem bem resolvidos, por terem suas convicções, muitas vezes erradas, com certeza, mas acima de tudo, por pensarem por si só e extravasarem de dentro de si, as interrogações, as incompletas lacunas que formam o seu interior.

Não duvido das boas intenções dos professores, essa classe tão desvalorizada pelos governantes, que nos formam e que simplesmente fazem parte das nossas vidas. Não duvido, sei da sua plenitude. Classe essa, que quero fazer parte um dia, na mais pura das sinceridades, quero ser um dia, um professor. Por isso todo esse incomodo e inquietação.

Agora, enfim, todos perguntarão: "_Quero ver então quando for você o professor, e encontrar todos a sua frente com olhos tão famintos do que a própria fome..."

Não questiono e não duvido de todos os problemas que existem na educação. Mas é através da educação que podemos mudar alguma coisa. História é passado, e não podemos mudá-la. O futuro sim, mudamos a partir do presente, para que mais em frente, o passado esteja mudado para melhor. É no agora que podemos começar a mudar, no ensinar e no aprender, ouvindo os professores, mas contestando-os sempre quando julgarmos necessário, por mais absurdo que seja o questionamento. Às vezes a absurda pergunta, é a absurda dúvida de alguém que está ao lado, que amordaçado, ficou impossibilitado de falar.

Eu quero fazer parte dessa mudança.
Arranque as suas mordaças, e use o dom da palavra.
É através do diálogo e a luz das idéias, que se quebra o pecado silêncio e se ilumina os confins da escuridão.

Cássio Almeida


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Apenas o início

E novamente o inimaginável destino do tempo
nos dá ares novos como uma brisa leve ao fim de tarde.
E sem perceber já estamos envolvidos,
tão misturados quanto céu e mar,
terra e planta.

Talvez o meu reflexo nos seus olhos
realmente seja o espelho da alma,
e o brilho da lua que invade a janela
reflita de longe o que nós já sentimos.

Talvez eu me perca no seu tímido sorriso
e nem perceba que o mundo continua a girar.
E qualquer minuto e segundo longe do seu toque
pareça realmente uma vida inteira sem você por perto.

E de repente nos damos conta
que tudo aconteceu como tinha que acontecer
e nos deparamos com um horizonte longínquo
repleto de carinho e felicidade.

E talvez tudo nesse mundo maluco, seja o mais fantasioso conto de fadas,
cheio de anjos e dragões,
talvez...
Mas quem sabe tudo seja apenas o início, apenas o início,
de tudo que dizem que é o amor.

(Cássio Almeida)

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A falta que minha mãe me faz


Em Julho de 2010, a pouco dias de completar 55 anos, minha querida e amada mãe embarcou para o céu. Mas não pensem que está carta a céu aberto está sendo escrita encharcada de dor e sofrimento, não, mas sim, somente saudade. Graças a Deus, e mais rápido que eu esperava, com a ajuda de pessoas amadas e amigos extraordinários, tudo que era dor (a pior do mundo), tudo já foi superado. Sofri o que tinha que sofrer, chorei o que tinha que chorar, e do fundo de uma força que nem mesmo eu sabia que tinha, consegui me erguer e seguir vivendo sem uma grande parte do meu coração.

Muitas das pessoas que me conhecem se impressionam do modo como eu superei essa perda inestimável. Se impressionam como eu consigo viver normalmente depois da sua morte (essa palavra feia e pesada) sem que eu sinta as dores da sua ausência. É o que eu digo, está tudo superado, não sinto tristeza, somente saudade.

Aí sim, só eu sei o que é sentir essa coisa que não se pode explicar. A saudade que eu sinto dessa mãe inexplicável, linda, guerreira, que abdicou de tantas coisas da sua própria vida só para me tornar o filho mais feliz do mundo. Só quem a conheceu pode ao menos um pouco entender o que eu falo, e o que foi a minha mãe. Aos outros cabe imaginar nas minhas palavras, o quão era fantástica aquela mulher.

Obviamente, eu tinha a melhor mãe do mundo (que nem todo mundo), e tinha nela a minha heroína, o meu alicerce e o meu chão. Apesar de viver por alguns anos a quilômetros dela, eu era feliz só de saber que ela estava ali, só esperando me reencontrar.

Que saudade mãe...

Que saudade quando chegava em casa depois de meses sem nos vermos, que saudade daquele brilho no olhar, daquele abraço apertado e daquele beijo mais carinhoso do mundo. Que saudade daquele colo de mãe. Que saudade de ficar conversando com ela por horas, horas e horas sem nunca querer parar. Alguns me perguntam de onde vem toda a minha alegria, empolgação e entonação ao falar. Podem ter certeza, a minha mãe que me fez no volume máximo.

E as histórias que me contava, e as piadas que me matavam de tanto rir, atrapalhada que nem eu. Que saudade dos almoços e jantas preparadas por ela com todo o amor que uma mãe é capaz de transbordar, e encantada ficava me observando apreciar as minhas comidas preferidas. Que orgulho ela sentia, e que orgulho de ter tido aquela mãe.

Que saudade de ver o seu rosto, o seu sorriso, que saudade de vê-la se despedir de mim, quando novamente eu partia. Que saudade de seu aceno e que saudade do seu tchau.

Que saudade quando ela me ligava dizendo que estava morrendo de saudade, que saudade de ouvir o seu "oi Cassinho" (como ela me chamava). Que saudade de ouvi-la dizer: "Te amo filho".

"...as vezes a saudade me bate,
como as ondas batem nas pedras..."

Eu queria que tivesse ao menos um DDD para ligar direto para o céu, e de vez em quando ouvir a sua voz. Como eu queria que tivesse uma passagem Divina, só para de vez em quando poder ir visita-la.

E de repente, vem as pessoas se admirarem com toda a felicidade que carrego em mim, e com todo o meu jeito de viver a vida, a minha alegria de viver cada dia. Que orgulho de dizer que foi a minha mãe que me fez assim, eu disse, ela me fez assim: Volume máximo, felicidade máxima.

Minha mãe me tornou o que eu sou. Devo tudo a ela, e a única tristeza que me bate, é não poder recompensá-la ainda em terra, em vida. Pois eu digo com todas as letras, grito ao mundo inteiro ouvir, se sou feliz hoje, se tenho todas essas pessoas maravilhosas ao meu lado, que me conhecem, que me querem bem, que me "aturam" (volume máximo, felicidade máxima), tudo isso foi conquistado, tudo isso foi possível, graças ao esforço, a luta e o amor dessa mulher inexplicável.

E eu tenho certeza, que aquele brilho no olhar cada vez que nos encontráva-mos, era o amor e a alegria de sermos uma só pessoa.

Que esteja em paz e feliz... E até o reencontro!
Saudade mãe, eterno amor.

(Cássio Almeida)

sábado, 22 de outubro de 2011

Destinos cruzados


Acreditar ou não crer no destino?
Tantas coisas acontecem em nossas vidas
para por em dúvida qual caminho a traçar.
E nossas vidas, tantas vidas que se chocam
qualquer brisa leve se mistura a um suspiro.

E tudo se mistura...

E tudo será prefácio? E tudo será caminho?
Mesmo horizontes longínquos nos fazem brilhar os olhos
esperança é a verdade.
Enquanto houver a leveza do espírito,
há de crer no inimaginável destino.

(Cássio Almeida)

sábado, 8 de outubro de 2011

Tarde


Tarde, mas não é tarde
ainda é dia na nossa existência
mesmo que duro para almas tardias
será sempre dia claro enquanto houver raios de luz
em corações apaixonados.

Tarde, mas nem perto de ser tarde
embora que Invernos
o sol feche os olhos mais cedo
nunca é tarde para dar um sorriso.

Os pássaros ainda cantam,
os ventos ainda sopram
levando tudo, o mais leve suspiro.

Enquanto houver o leve toque de um beijo
o mais sincero dos abraços,
enquanto houver aquele tímido olhar
tarde, mas nunca tarde para amar.

(Cássio Almeida)

Haverá um tempo

Dias ficarão para trás,
minutos correrão como o mais forte vento,
mas não há dúvidas que nos corações sinceros,
por mais duros que sejam,
haverá um tempo em que o amor prevalecerá.

(Cássio Almeida)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Tudo é uma questão de humor



É impressionante como gestos simples
se bem direcionados,
podem se transformar em grandes sensações.
Tudo é uma questão de humor...
Por que ficar triste?
Se podemos simplesmente escolher sermos felizes.

(Cássio Almeida

terça-feira, 29 de março de 2011

O segundo que antecede o beijo


O beijo. Como pode um simples encostar de lábios ativar tantas sensações em milésimos de segundo? O beijo faz arrepiar, o beijo faz acelerar o coração a ponto de quase saltar pela boca, a mesma boca que agora já se mistura a outra. Um beijo é capaz de enlouquecer, um beijo é capaz de nos congelar e ao mesmo tempo derreter, ainda mais se for aquele tão esperado e longo beijo apaixonado.
Mas tudo isso é o ponto máximo, o beijo, o ato já consumado.
Mas e o antes? O que ainda é só imaginação, quando os lábios a sua frente ainda é um horizonte distante, uma fortaleza, um rio a ser atravessado, o seu desafio, a sua conquista, o dia D, a hora H: O segundo que antecede o beijo.
O segundo mais longo, a adrenalina no seu pico mais alto, os olhos já quase fechados, o coração já não cabe mais no peito, as mão suadas, a mente já não identifica o mundo ao seu redor, nem mesmo as próprias palavras. E as palavras que vem em sua direção você já nem escuta mais, está hipnotizado, só a procura de coragem para dar o último passo antes de se jogar como um animal em busca da caça, o último segundo. O segundo que antecede e eleva as sensações, sentidos, pensamentos e adrenalina humano quase a explodir em êxtase.
Será mesmo que acontecerá o beijo?
Essa é a dúvida. Essa é a dúvida que naquela fração de segundo vai deflagrar todas essas sensações sem saber se você irá atingir o ponto máximo, o beijo. Muitos dirão que o ponto máximo é o sexo, mas não, não é. O sexo é conseqüência, o sexo é a diversão. Em outros casos, nem mesmo precisa-se do beijo para acontecer o sexo. O sexo é o troféu, mas o beijo, é a adrenalina de disputar e vencer ou perder a partida.
Essa é a questão, a dúvida do que há por vir.
O segundo que antecede o beijo é o rio que separa as duas margens, os dois lábios.
E o que fazer, parar e esperar secar o rio?
Não! Fechar os olhos, ir em frente, e esperar o rio encontrar o mar.

(Cássio Almeida)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O que faz acelerar o coração?


O que faz acelerar o coração?
O seu sorriso, o seu abraço
o seu olhar encabulado.

As suas frases, o seu silêncio
a sua inquietação.
O seu mistério, o seu sabor
o seu desejo.

A sua indecisão, a convicção
o leve desespero.
Mas o que mais faz acelerar o coração?

Talvez o toque, talvez a distância
quem sabe o seu complicado mundo acordado,
ou até o sono.
As vezes acho que o medo,
as vezes a coragem.
Quando passa longe,
ou quando passa perto e sente-se o perfume.

As curvas da estrada que se confundem com as
suaves e delicadas curvas.
Ou talvez o despretensioso brilho ouro que se junta ao pôr-do-sol.

E de tudo isso,
o que mais possa desencadear os batimentos velozes,
talvez seja o amor,
o simples pensamento de que você existe.

(Cássio Almeida)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Não sei quase nada do que acho que sei


Não sei...
Não sei quase nada do que acho que sei
meros devaneios perdidos
pois se achados, quão irão se perder.

Não sei quase nada do que acho que sei
quando suspiro forte
vento inquieto que passou calado.

Outrora me veio um olhar brilhante
que mais parecia um vagalume perdido
era a lâmpada de cima da cabeça
que não havia acendido com a luz das idéias.

Não sei quase nada do que acho que sei que existe no Mundo,
quase nada.
Mas ainda sei que existem coisas incomparáveis
coisas que nem todo mundo conseguem sentir.

Da vida, ainda salvam-se os que entendem o algo a mais,
os que lêem as entrelinhas,
os que ainda avistam um horizonte melhor mesmo no escuro.

Não sei quase nada do que acho que sei,
principalmente do coração.
Mas enquanto seguem brigando os sentimentos, salva-se de longe ainda o amor.

(Cássio Almeida)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O agreste dos olhos


Os olhos secaram.
Todas as lágrimas de repente viraram pó,
gota por gota,
esvaíram-se como um fio d'água no solo seco.
O que era mar virou sertão.
Onde terá ido o rio que enchia o meu coração?
Foi desviado pra longe, bem longe, tão longe.
O brilho agora opaco dos olhos
pede e reza que volte logo o brilho claro e sereno
banhado pelas lágrimas.
Mas os olhos secaram.
O sol gastou todo o seu brilho pra rachar o solo onde piso.

O agreste dos olhos arde e queima fogo e chama...

Mas há de chorar,
como chuva em meio ao deserto,
pra de novo florir os campos
encher o mar e o coração
o rio encontrar o caminho,
e os olhos de novo brilharem
como um lindo dia de verão.

(Cássio Almeida)

sábado, 17 de julho de 2010

Último ato

E de repente foi-se a vida
como um suspiro ao vento
como uma lágrima na chuva.
O sol é visto a olho nú, já não brilha tanto.
O coração bate, mas sem uma grande parte.

Enquanto isso um tapete vermelho é estendido lentamente
por um caminho cheio de flores onde um anjo vai passar.
Uma multidão, todos de pé, aplaudem sem ter hora pra cessar,
Os sinos e os clarins já anunciam,
os olhos brilham, os sorrisos largos,
não há lá, quem não saúda sua chegada.
Aqui, só nos resta saudade...

Fecharam-se as cortinas da Terra,
abriram-se as cortinas do céu.

(Cássio Almeida)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Ainda o amor


Há quem diga que seja invenção, que não exista e seja tudo um conto de fadas, há quem desconfie e no fundo diga que já sentiu. Há quem ache que é tudo uma brincadeira de crianças, mas há quem ache que é tudo coisa séria. Há quem diga que é somente paixão, vem e vai embora. E há quem diga do outro lado que seja eterno, tão inseguro quanto a vida.
Há quem chore,
há quem ria,
há quem sonhe,
há quem jure,
há quem apenas acredite em um sentimento maior, indiferente do seu nome. Acredite que é algo que o diferencia dos demais, que seja o caminho certo, o caminho que levará ao encontro da felicidade.
O amor.
Ainda é o amor o epicentro do nosso coração, que causa tantos tremores em nossas vidas quanto a um abalo sísmico real. É ele ainda que nos faz suspirar por um simples piscar de olhos, ou mesmo sem nos conhecer, cruzar em nossa frente tão lenta como um dia de verão. Ainda é o amor que nos cutuca na hora certa, e vem como as ondas nos acertar em cheio como acertam as pedras a beira mar. Ainda é esse sentimento que nos mostra que existe algo acima de tudo, tão acima quanto as nuvens, tão profundo quanto os mares, tão forte quanto os ventos, tão belo quanto um pôr-do-sol.
Ainda o amor, tão simples e tão sincero, que ainda nos fazem crer naquele sorriso tímido, e naquele abraço apertado, e naquele olhar brilhante, que faz ter sentido o que nós sentimos, e que nos mostram que o amor sempre valerá a pena, se um dia por descuido alguém conseguiu despertá-lo.

(Cássio Almeida)

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Quando o tudo é nada



Diante de mim, a vida.
E eu à tenho, e eu à vivo,
com toda força, sem pressa,
pois o tempo e todo seu tempo,
eu tenho.
E eu tenho o sorriso estampado na cara
mas também tenho as lágrimas
que sempre caem na hora certa.
Eu tenho lembranças infinitas
guardo tudo, e vou lembrando ao passo do passar
e choro a lágrima que guardei pra ti.
Eu tenho o coração gigante
que cabem todos, e mais, e mais,
e vão chegando, e não param de chegar
e vão pulsando o sangue que me faz viver
e nem percebem, que o combustivel da vida
é cada uma das pessoas que eu guardo.
Eu tenho olhos que avistam tudo
o que me rodeia, e o que nem aparece à vista
avisto o horizonte subentendido,
e as entrelinhas do olhar até o toque.
Mas finjo que não vi, o que ás vezes nos cega.
Eu tenho energia de sobra para brincar com a vida
andar por aí sem rumo,
tomar um banho de chuva,
rir até que doa a barriga,
jogar uma conversa fora,
refletir em frente ao mar,
ficar em volta da fogueira,
a lua, o violão e nós...
A energia que me falta
é apenas a preguiça de ter que acordar no inverno,
é o pecado que mais cometo.
Eu tenho a melhor mãe do mundo (que nem todo mundo),
e irmãos que são parte de mim.
Eu tenho uma vontade de conhecer a Nova Zelândia,
e o resto do mundo também.
E vontade não me falta
de conhecer o mundo do ser.
Se eu pudesse imaginar o que as pessoas sentem
talvez eu não tivesse vontade de descobrir,
mas eu tenho.

Eu tenho tudo,
mas não tenho o que eu quero.
O porque eu não sei,
sempre acho que faço tudo certo.

Talvez eu tenha que fingir
e deixar tudo ao senhor do tempo
e ter que ver mais uma vez
o fim da tarde chegar.
Pois eu tenho todo o amor do mundo
mas não sei se me têm.

(Cássio Almeida)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Escova de dente e um quilo de sal




Será mesmo que conheço as pessoas?
Ingenuidade minha, pode ser. E a cada segundo um segundo a menos, e a cada segundo é um piscar de olhos, e passos se cruzam, e cruzam seus mundos e tropeçam seus pés, e você se segura com um abraço, e eu seguro um sorriso. Será que foi o meu amor que tropeçou e eu a segurei? As pessoas tropeçam, e os amores passam, e até nos acenam, e até disfarçam, e até não se conhecem, e até brincam, e até brigam e até se admiram. E a projeção fica por nossa conta, e nossa imaginação voa longe, pensando em cada tropeço, instante e movimento.
Será mesmo que conheço a quem julgo um sentimento?
Conheço a mim, pois aos outros sobra aquela eterna dúvida do que está pensando agora... Cada um leva a sua projeção no bolso, e desvendar esse bolso sem fundo, é o que nos atormenta quando se está sozinho. O que será que pensa tal criatura quando está sozinha? Pois verdadeiro pensamento e afeto, é o que nos chega quando estamos sem querer paralisados olhando fixadamente para nada, mas que no final é tudo. E a roda da vida continua girando.
Será mesmo que conheço o que eu sinto?
Ora, se não sou eu quem faz minha própria projeção, e tudo que imagino talvez no final faça algum sentindo. Como quando passa a tempestade e vem a calmaria, a gente fica pensando quando o nosso temporal de sentimentos vai passar. E a gente lembra que a maré vem todos os dias e trás tudo de volta, e nós ficamos assim, olhando pro horizonte esperando um ao outro. E o barco continua navegando, sem porto, sem cais.
Será mesmo que conheço a minha projeção?
E se não é perfeito o filme que eu próprio dirijo, como entender as cenas do próximo capítulo? Esse é o mistério. A novela da vida de cada um só se descobre depois do fim, pois até lá, é apenas capítulos, um atrás do outro, dia após dia, cena por cena, e todo mundo sabe que o verdadeiro final é nós que fizemos. E realmente, a gente só se conhece depois de um quilo de sal.
No mais, são só pitadas que temperam o que a gente projeta, que fazem da nossa história um obra-prima, digna de Oscar, que nos fazem chorar, sorrir, imaginar, sonhar, que nos fazem ser em sonho, o que no fim imaginamos ser.
E a projeção acaba, quando sem querer e sem perceber, sua escova de dente estiver perto da minha, e perceberemos que tudo na nossa vida é um filme, sem roteiro, mas com final feliz.

(Cássio Almeida)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O melhor jeito de morrer

Há quem diga que o melhor jeito de morrer, é morrer dormindo...
Dormindo? Assim, sem prévio aviso. Não, dormindo não. Eu não gostaria de morrer dormindo. Imaginem ir tirar um cochilo e nunca mais acordar, nem pensar.
Eu quero morrer lúcido (em uma teoria minha, não morrerei, mal sabem que tudo isso vai muito mais além do que apenas fechar os olhos para sempre), que seja morrer do coração, mas lúcido. Eu quero morrer vibrando num gol do meu time, morrer correndo na chuva enlouquecido, morrer olhando o mar ou depois de um pôr-do-sol. Eu quero morrer bebendo com os meus amigos e mostrar pra todo mundo que morri feliz. Eu quero morrer depois de um abraço e um beijo apaixonado e morrer amando.
Óbvio que não quero morrer agora, é muito cedo, só depois que o sol se apagar e a última folha cair, eu só não quero morrer dormindo, sem poder me despedir com um sorriso estampado na cara.
De todas as maneiras, o melhor jeito de morrer sempre vai ser morrer vivendo.

(Cássio Almeida)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Stradivarius, sobre nós dois



Stradivarius é uma das mais famosas marcas de instrumentos de corda do mundo. Seu construtor, o Luther Antonio Stradivari, produziu na Itália renascentista vários violinos. Muitas das técnicas utilizadas por ele ainda não foram completamente desvendadas. Há diversas teorias sobre a sonoridade de seus violinos.
Uma delas diz que o segredo da sonoridade estava no verniz utilizado por ele, que acreditavam conter cinzas vulcânicas, o que tornava o instrumento mais duro e assim melhorando a sonoridade. Mas é apenas uma teoria, tudo ainda é um mistério. Outra teoria para a superior sonoridade do Stradivarius, era porque ele selecionava madeiras de navios naufragados há anos. Com isso, a madeira ficava muitos anos em água salgada, o que fazia com que fosse mais dura. Mas também é apenas uma teoria, tudo ainda é um mistério. Um outro fato, é que durante o período em que viveu Antonio Stradivari, a Terra e especialmente a Europa, estava passando por um período onde foram registradas temperaturas muito baixas. Por isso, as madeiras das árvores eram mais duras durante esse período. Mas é apenas teorias, tudo isso ainda é um mistério sobre o inigualável som emitido pelo Stradivarius.
E no meio de tudo isso não se encontra teorias que expliquem o que acontece entre você e eu...
Sobre nós dois, mistérios que se perdem entre um olhar e um sorriso, um inigualável sentimento que nos cutuca quando menos se espera. E como explicar esse sentimento quase em segredo, aos sussurros, despertado que quase quando um forte vento passa. Sobre nós dois, dois mundos que se chocam, e como é grande esse mundo, onde se perdem, onde se desvendam, onde um procura o outro, mas sem fazer sinal.
Por que você me olha desse jeito?
Por que a gente sorri quando se vê?
Por que me faz falta quando está longe?
Por que o melhor lugar é o conforto do teu abraço?
Sobre nós dois, algo mais que comum, pois quando chega o fim da tarde chega junto aquele sentimento, e no teu mundo quando passa a brisa leve que faz arrepiar, é bem mais que um simples vento que empurra o mar, é de longe o suspiro que sem perceber se deixa sereno repousar no ar. Sobre nós dois, há de ser um só, quando o sol brilhar nos dois lados com a mesma intensidade. E quando vem a onda forte e nos acerta, um mistério toma conta, não há explicação que defina o perfeito som do Stradivarius, nem o doce toque do seu beijo.
E o tempo ainda procura o mistério do seu som e tudo o que envolve nós dois.
E a vida vai passando como fumaça pela fechadura, e vai levando tudo e qualquer suspeita, e teorias vão ficando pelo caminho na tentativa de explicar o que se passa no coração de cada um. O segredo está na nossa frente e a gente desvia o olhar. Como definir o som do Stradivarius e a nossa alegria de estarmos juntos, se tudo ainda é mistério quando se trata da fina flor da perfeição e das infinitas razões de se amar.

(Cássio Almeida)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O maior medo

Não tenho medo de amar, de morrer, muito menos de viver. Não tenho medo de chorar, de sofrer, nem de rir em público. Não tenho medo de Sexta-Feira 13, de trovão, nem de bicho-papão. Não tenho medo de avião, de Bungee Jumping, e nem do escuro (mas prefiro não ficar sozinho). Não tenho medo de tudo isso, mas tem uma coisa que eu tenho muito medo, o medo da saudade, da saudade que vou sentir das pessoas.
Eu tenho medo da saudade que vou sentir quando meus pais partirem, como viver sem colo de mãe, e abraço de pai. Como suportar a saudade de quem me tornou o que eu sou hoje, como seguir em frente sem a maior parte do meu coração.
Tenho medo da saudade que vou sentir se de repente meus amigos se desencontrarem pelo mundo, como suportar a saudade dos "amigos irmãos" que sempre estiveram juntos, saudade da galera que simplesmente me fazem feliz. Tenho medo que as nossas amizades sejam apenas unidas por e-mails e vozez trêmulas por telefone.
Tenho medo da saudade até das pessoas que mal me conhecem ou conheceram. Medo da saudade da "tia" que muito me vendeu e vende lanche nas madrugadas, da menina que já me alugou vários DVDs, saudades das pessoas que sempre estão no mesmo lugar, mal sabem que fazem parte do contexto dos meus dias. Medo da saudade das calçadas que cruzam os meus pés agora.
O meu maior medo é saudade...
Medo da saudade de tudo que é a minha vida agora.

(Cássio Almeida)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Muito prazer, meu nome é otário

Muito prazer, meu nome é otário. Muitos já devem ter ouvido essa frase, trata-se de uma frase da música "Dom Quixote" da banda Gaúcha Engenheiros do Hawaii, música muito bonita que fala do amor ás causas perdidas.
E de repente fez-se do amor uma causa perdida. E a gente chora e ri, e a gente cria mil teorias que se expliquem todo esse nosso amor. Amor perdido?... Que nada, amor desnaturado, amor que foge e brinca com a gente. Esse mesmo amor que procuramos cada vez mais em nós. E em qualquer coisa a gente procura, numa frase errada, num olhar atravessado, num acaso sem lógica, é o amor escondido que a gente procura.
Muito prazer, que seja meu nome otário, se ainda for por amor as causas perdidas do amor, se for pra me perder em você, e em tudo que a gente acredita ser. O tempo já foi muito bom em fazer a gente se conhecer, e agora somos nós que desperdiçamos o tempo tentando entender o que é o amor.
Por amor às causas perdidas, fizemos tudo o que queremos, e foi o amor que se perdeu. E agora o vento espalha o nosso suspiro e pensamento pra ver se a gente se encontra no caminho certo a seguir, o mesmo caminho que nos levará a caminharmos juntos de mãos dadas, que nos levará ao lugar onde se encontrará a nossa alegria de estarmos juntos.
A todos que duvidam do amor, que desconhecem o que é sentir, que não acreditam em seu próprio sentimento, aos que desprezam as razões verdadeiras do coração, dos sorrisos e lágrimas que se perderam com o tempo, aos que não entendem que os obstáculos da vida são meros percalços para encontrar o caminho certo, a todos esses, que seja otário meu nome, muito prazer, mas que seja por amor às causas perdidas, que seja, mas que seja por ainda acreditar no amor.

(Cássio Almeida)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O amor é uma ironia

Eu gosto de você, e você não gosta de mim. Ela gosta de mim, mas eu não gosto dela. Parece que ela foi desenhada pra mim, e eu não esculpido pra você...
Ah se fosse simples! Mas o amor é uma ironia. O amor debocha e faz chacota do nosso coração a quem não entende as ironias do amor. Brinca e faz sofrer os corações mais desatentos e ingênuos, por não entender as desventuras do amor, por não perceber que o gosto e desgosto caminham juntos no longo e esburacado caminho.
Como entender certas coisas que vão além de um simples olhar de canto e um sorriso meio encabulado, à suspiros que se confundem com a brisa leve de um fim de tarde. O amor não se explica, o amor acontece. E quando acontecer, por si só já estará explicado, e você entenderá que tudo o que aconteceu é prefácio, era o índice para o que viria e se tornaria.
Mas não esqueça, o amor é uma ironia. Na física, lados opostos se atraem, mas no amor as coisas não funcionam bem assim, não importa o quão diferentes ou iguais sejam os lados, a atração vai muito além do que meros lados. Vai além das forças da natureza. O amor realmente prova a sua força, quebra leis da física, atravessa fronteiras entre o ódio e a dor, e amolece o mais duro dos corações.
No fundo, é só usar o próprio veneno como antídoto. O que nós precisamos na verdade é ironizar o amor, jogar o seu jogo, acreditar que sua ironia e suas armadilhas são somente partes do que é a brincadeira, que fazem parte do ritual, do verdadeiro caminho, que tudo é prefácio.
Só assim eu vou gostar de você, e você vai gostar de mim, ela vai gostar de mim e eu vou gostar de você. O desenho perfeito, esculpido na melhor das madeiras...
Que ironia, o amor se rendeu!

(Cássio Almeida)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Ausência


A onda nos passou rente
e quando percebemos
era o amor que tinha passado.

Mas o arrepio que nos vem de repente
é a lembrança que sobrou de nós.
E a maré de volta vem trazendo
o profundo amor que se perdeu no mar.

(Cássio Almeida)

sábado, 24 de outubro de 2009

Tudo que tiver que acontecer


Tudo que tiver que acontecer nessa vida
que aconteça,
e o rio que corre para o mar
vai levando junto a vida e o tempo.
O tempo é correnteza forte,
vai levando tudo
e volta e meia eu vou pro mar
sentir a vida e o tempo, chegar e passar.
Tudo que tiver que acontecer
que aconteça,
pois o rio vai levando,
mas a maré traz tudo de volta.

(Cássio Almeida)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Se de repente a escuridão chegar

Assisti esses dias o filme "Ensaio Sobre a Cegueira", filme baseado no livro do escritor José Saramago. E que película! História que te prende ao filme do início ao fim, dramático, perturbante, que me deixou por muitas vezes chocado, e o melhor de tudo, o filme te faz pensar muito sobre a vida, faz você imaginar-se naquela situação, faz você refletir.
Várias vezes durante o filme fechei os olhos tentando imaginar se de repente eu perdesse a visão, como seria viver sem as imagens, sem um dos mais fundamentais sentidos, viver às escuras, vivendo somente das lembranças.
Como viveria sem poder ver o mar, as montanhas, um barco no horizonte, a lua, as estrelas, a areia branca, a rua, os carros, alguém de bicicleta, como poderia viver sem ver o rosto dos meus amigos, sem ver o rosto da minha família, sem ver o rosto do meu amor. São tantas coisas que chega embaralhar os meus pensamentos, seria uma mudança tão chocante que não sei como reagiria. Como aprender a viver somente das lembranças, e o que eu ainda não vi, e se de repente eu esquecer tudo. Como seguir sem nunca mais poder ver a própria face.
Mas também me cabe outro pensamento. E as pessoas que já nasceram cegas? Não posso julgar se seria melhor ou pior. Porém, pensar nessa hipótese também me causa desconforto. Como seria encarar o mundo sem nada conhecer visualmente, absolutamente nada, nem mesmo as lembranças me caberiam no pensamento.
Seria como viver num conto de fadas, viver somente da imaginação, e o poder do toque das mãos. As pessoas não veriam, apenas sentiriam o que há de mais belo para os nossos olhos. As paisagens, as construções, o céu, a terra, o mar, de uma simples formiga, há uma imensa baleia, tudo por conta da imaginação.
Tudo teria outro sentido, e a frase "O amor é cego", seria na forma literal das palavras. Seria o mais puro e sincero amor do fundo da alma e do coração, o seu amor seria mais do que nunca a rainha dos seus sonhos.
Esse filme nos abre há infinitas situações, o "Ensaio Sobre a Cegueira" não passou despercebido, não foi apenas um filme, mas uma viagem filosófica, que nos faz pensar na vida, se de repente acordássemos no meio da escuridão.

(Cássio Almeida)

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Os valores de cada um


Foi-se o tempo onde o importante para as pessoas era apenas ser feliz, brincar e brindar a vida. Hoje em dia, para muitos, e isso que me deixa pasmo, não basta estar feliz consigo, é preciso ser melhor que o outro, ser mais "feliz" que o outro.
Os valores das pessoas parecem ter sumido em meio a neblina da manhã e a escuridão da noite. Os valores desvalorizaram-se, aos meus olhos atentos, o que vejo, é um mundo de futilidades, e a perda do que para mim, realmente importava, viver a vida simplesmente.
Viver a vida simplesmente, e não estou dizendo que para isso deve-se ser irresponsável e não preocupar-se com nada e apenas viver, não é isso, mas sim, viver e não preocupar-se tanto com coisas que absolutamente no fim da vida não vão servir para nada. O que vai ficar realmente na Terra é o que você fez de melhor para os outros, e não consigo mesmo, o que vai ficar na verdade é o que você nem percebe, o subentendido, a mais sincera felicidade por entre as linhas.
Parece que hoje o que importa é apenas o Status, os bens materiais, o alto grau na sociedade, a "grandeza". No fundo, você não é grande pelo que tem, você é grande pelo o que é, você é grande na sinceridade dos olhos de quem vê. Não perca tempo mostrando o que você não é, use o tempo para mostrar o que você é de verdade no fundo da alma.
O que importa se ele tem o som do carro mais alto, se ela tem na festa a roupa mais bonita, o que importa se ele tem mais saldo no Banco, ou se ela tem o cabelo mais liso. O que importa se ele faz Jiu-jítsu e ela é modelo. O que importa? Isso são só referências, isso é apenas uma capa protetora, uma maquiagem, isso não diz nada o que realmente a pessoa é.
No fim não vai sobrar nada disso...
O que importa é o que ficará eternizado, você sem a armadura.
Perca tempo distribuindo sorrisos, gentileza, alegria, afeto. Abrace mais, ame mais, minta se for preciso, mas só se for pra fazer alguém feliz. Chore se precisar, não é pecado nem menos viril, peça desculpas, perdoe, diga obrigado, corra, brinque, cante, tome banho de chuva, ande descalço, não deixe apagar a criança que tem em você, não sinta vergonha de ser feliz.
Isso sim ficará.
Pode ter certeza, o meu valor é inegociável, e assim viverei para sempre.
Tire a mascara invisível, desarme-se, pois tudo isso ficará, faça isso, e você vai entender no fim o real valor da felicidade, e assim, no fim da vida por entre as lágrimas dos verdadeiros amigos, descubrir o que é ser eterno.

(Cássio Almeida)

domingo, 13 de setembro de 2009

Quando as pétalas caem


Quem dera se as razões do coração
fizessem jus as do sentimento...
Por que é que tem que ser assim?
Se as razões do amor não somem
nem mesmo depois do fim.

(Cássio Almeida)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Saudade do tempo que passou


Ah! O tempo, sempre ele.
Passa e nem se percebe.
Passa o tempo
como passa um simples vento ao cair da tarde
como grãos de areia por entre os dedos
a cada instante e movimento
ou mesmo no mais profundo sono.
O tempo passa e vai deixando um rastro de saudades,
saudade do tempo que passou.
Saudade de uma brincadeira de criança,
das descobertas,
saudade de um amigo, de um amor,
saudade na verdade de tudo que já passou.

Saudade faz sorrir e doer o coração...

E ficamos pensando no que a gente faz com o
nosso próprio tempo.
Será que as tardes que eu perdi dormindo,
as horas que passei contemplando o mar,
as conversas jogadas fora,
um beijo um abraço que deixamos de dar,
será que tudo isso foi perda de tempo?

Se o tempo que passei sonhando,
o meu olhar no horizonte,
as minhas palavras ao vento,
e o abraço e o beijo negado,
se tudo isso é desperdiçar o tempo precioso,
então confesso que o fiz.
No mais, é o que tem que ser.

É quando de repente se faz perceber
que o tempo nada mais é
do que nosso próprio aliado.
Ou você dúvida da força mágica do tempo?

O tempo não transforma tudo,
mas só ele é capaz de transformar...

Só o tempo transforma um sonho em realidade,
só o tempo transforma um triste olhar no mais
brilhante de todos,
só o tempo transforma simples palavras na mais
bela frase de amor,
e só o tempo é capaz de transformar um coração vazio
no coração mais apaixonado.

E quando você achar que o tempo vai passar,
já passou,
e o tempo vai passando
e nos transforma ao piscar dos olhos
o que era a nossa vida agora
novamente naquela futura e mais pura saudade.

(Cássio Almeida)

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Cais do Porto


O amor içou as velas
e partiu,
como um pássaro que migra
como um dia que passa
como um vento que soprou.
E o que não parte, fica
como cicatriz marcada na pele,
um sentimento infinito
uma saudade que não passa
uma folha no chão
uma poesia no canto
um olhar no horizonte nesse mar gigante.

As ondas que batem nas pedras
vem e vão ao ritmo do coração,
e a lágrima que outrora me falta
cai serena como uma chuva de verão.

Mas logo me vem à calma
que nos mostra que a vida é feita de partidas e chegadas.
E na beira do Cais a gente sorri.

O nosso coração é um porto
cheio de idas e vindas,
de encontros e desencontros,
onde a gente sempre se despede
mas para onde o amor sempre retorna.

(Cássio Almeida)

terça-feira, 21 de julho de 2009

Flor


Eu quis te desvendar
e acabei perdido em seu mundo
em meio a um mar enigmático
por entre montanhas e caminhos.

O que teu mundo me diz
talvez em sonho esclareça
o aroma que vem da flor
é o perfume da tua pele.

O caminho certo talvez seja incerto
e o que quero é apenas desvendá-la
seguir o caminho do teu corpo florido

levar-te a verdade do meu olhar e sorriso.
Pois quando perdido no seu mundo
havia sempre uma placa dizendo que siga.

(Cássio Almeida)

sábado, 11 de julho de 2009

O fuso-horário da paixão

Apaixonar-se não é fácil.
Simplesmente por que você não domina isso. Não existe lógica, a paixão é sem critérios, sem regras, sem rédeas, ninguém escolhe quando vai se apaixonar.
Hora apaixona-se, outra hora não está mais, depois se apaixona de novo, e desapaixona-se novamente. É assim mesmo, sem uma fórmula mágica para gostar de alguém. Nos apaixonamos como o ponteiro do relógio muda de segundo.
Claro que todas essas paixões sem prazo de validade têm suas medidas específicas. Hora a paixão é mero primeiro impacto, tipo um amor á primeira vista, tem horas que a paixão é apenas carnal, outra hora é pela capacidade da pessoa fazer-se apaixonar. E tem vezes que a paixão parece que é para sempre, essa é a que mais me preocupa, é bom apaixonar-se dessa maneira, pois você ama de forma intensa e verdadeira, mas ás vezes essa paixão pode causar sérios danos ao nosso coração.
Pelo simples fato que ás vezes a carta não chega ao destinatário, ou seja, você não será correspondido. Você está apaixonado, mas nem sempre a sua paixão se transformará num relacionamento, pois a outra pessoa também possui sentimentos e neles a gente não manda. Quem sabe também se apaixona por você, ou apenas goste e com o tempo apaixona-se, ou nem goste, ou nunca vai se apaixonar, ou te odeia e de repente apaixona-se. É assim mesmo, uma loucura, são as medidas da paixão, e não importa o que se faça, quando são assuntos relacionados com o coração não tem explicação.
E de segundo em segundo o ponteiro vai girando, o tempo vai passando, o coração vai batendo, as horas passam, a banda passou, anoiteceu, amanheceu, fez sol, choveu, fez frio, ventou, as folhas caíram, chorei, sorri, ano-novo, tudo novo, novamente a máquina do tempo. Os dias que passaram não voltam mais, mas ainda bem que as paixões não passam, o coração fica, para de novo apaixonar-se.

(Cássio Almeida)

domingo, 31 de maio de 2009

Uma sala dominada pelas mulheres


Como muitos sabem, eu cursava Geografia na Universidade Federal de Pelotas. Um curso onde a maioria na sala de aula eram pessoas do sexo masculino. Fiz grandes amizades.
Agora estou cursando Turismo, na mesma faculdade, e para a felicidade geral da nação e principalmente minha, é uma sala dominada pelas mulheres. Um contraste e tanto. Será quatro anos e meio de convívio com essas queridas colegas. E eu, um sonhador por natureza, já penso o que nos tornaremos no fim desse ciclo, o tamanho das nossas amizades, quantos sorrisos e angústias iremos compartilhar. Tudo que fizemos, tudo ficará guardado.
Mas por enquanto, ainda estamos naquele clima de inicio de curso. Cada um se conhecendo melhor. Mas aí que surpreendo-me com essas minhas adoráveis colegas. Parece que se conhecem há anos, pode parecer machismo de minha parte, mas nunca vi um grande grupo de mulheres como esse se dar tão bem.
Acredita que esses dias trocaram presentes entre elas lá no fundo da aula, sim, motivo: Apenas amizade. Simplesmente trocaram presentes uma com a outra pelo fato de serem amigas. E fiquei pensando se aquela história que amizade verdadeira só acontece com homens, é verdadeira. Elas estão quebrando esse estigma.
Espero que essa amizade entre elas dure pro resto da vida mesmo.
Pois eu fiquei pensando também, imagina uma sala de aula cheia de mulheres sem se darem bem. Imagina todas com TPM ao mesmo tempo, seria o início da 3° Guerra Mundial. O Holocausto da vida moderna. Mas pelo pouco que as conheço, não acontecerá. E eu testo a paciênca delas, mas elas sabem que o carinho é reciproco.
Enquanto elas ficam lá trocando presentes, paparicando-se, conversando sobre tudo, ficam os meus colegas e eu falando sobre futebol, sobre futebol, e é claro, sobre elas, as mulheres.
Ah! essas minhas colegas!
Por mais que o mundo mude, e as mulheres comecem a tomar os lugares onde antes era só dos homens, por mais que elas sejam mulheres modernas, com atitude. Nos resta ficar em silêncio, e adimirá-las. Pois o tempo passa, mas não somos nada sem a delicadeza da presença delas.

(Cássio Almeida)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A felicidade bate à porta


Viver os dias como se fosse o último...
E por que não?
O bom é ser feliz hoje,
do que esperar o amanhã de olhos fechados.

(Cássio Almeida)

quarta-feira, 20 de maio de 2009

As bergamotas


O inverno está chegando...
E junto também chega a preguiça de acordar. O inverno me faz cometer esse pecado, a preguiça. Acordar naquele clima frio é quase uma tortura, a vontade que se tem é de nunca mais levantar, ficar deitado para sempre. Das estações, se tem uma que eu dispenso, é essa estação do frio.
Quando chega o inverno, também chega-me um pouco de mau humor. Odeio passar frio, e odeio ter que me encher de roupas pra fazer passar o frio. Fosse verão o ano todo, um par de chinelos e uma bermuda já me bastava. No inverno viramos um robô, de tanta roupas que usamos.
Eu gosto é de verão. Verão por si só já deixa as pessoas mais felizes, uma noite de verão é quase insubstituivel. Há quem reclame do sol escaldante do verão e do abafamento que se tornam os dias, mas prefiro derreter no verão, do que congelar no inverno.
Um dia um amigo me disse: _Se não fosse o inverno, tu nunca teria comido bergamota! Eu nunca tinha pensado nisso, eu adoro bergamota. E comecei a pensar nas belas coisas que nos propicia esse clima gelado. Coisa boa tomar um chocolate quente com merengue, comer um fundue de queijo, ver um filme abraçadinho, sentar em frente ao fogo da lareira, e quem tem sorte poder brincar com a neve.
Realmente são coisas muito boas de se fazer no inverno. Mas aí eu fico pensando novamente, inverno é bom para as pessoas que podem fazer isso tudo, e as pessoas que não podem? No inverno as pessoas sofrem mais, pelo simples fato que o frio não perdoa. Imaginem as pessoas que vivem na rua, e têm que enfrentar por 3 meses esse inimigo invisivel. Não quero dar uma de bom samaritano, é obvio que essas pessoas também sofrem nas outras estações, porém, no inverno, a noite é inimiga.
Todas as estações tem o seu lado de cartão-postal, eu não nego, mas eu ainda prefiro e não troco por nada esse sol que nos aquece. Deixo o inverno para quem gosta realmente, pois entre calor e frio, o calor. Pena que as bergamotas não dão no verão.

(Cássio Almeida)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Buenos dias


Há coisas que gostaria de entender...
Coisas que qualquer olhar atento entenderia
mas meu olhar sempre vaga no vazio,
e não entendo.

Não sou nenhum astrônomo
quando muito apenas um admirador do céu.
A lua, o sol, as estrelas,
todo o universo me encanta
mas não entendo como possa existir um lugar sem fim.
Infinito eu achava só o meu coração.
Tudo se precisa de uma partida e uma chegada
mas como encarar o universo sem ter onde chegar.
Não entendo...
Mas não espanta-me essa dúvida
o universo é realmente inexplicável
de lá nós viemos,
mas lá não chegaremos.

Espanta-me não entender certas coisas,
coisas simples,
um olhar que revela,
um olhar que diz tudo,
um suspiro que as vezes nos diz muito.
Um sorriso que abre caminhos,
um beijo que nos faz viajar,
um abraço que nos protege,
uma lágrima que nos rende.

Não entendo muitas coisas
sobre tudo, não entendo a mim.
Não entendo como sempre no fim
o que eu achava que era simples
na verdade é um teorema.
Não entendo tudo,
mas entendo que é assim mesmo,
sem lógica,
sem critério,
assim como é a vida.
Eu não sei como tudo acontece,
mas aposto que o fulano na esquina também não sabe,
e eu tento entender o que as outras pessoas pensam.

Ontem uma cigana me disse buenos dias
e dizia que sabia o que eu pensava.
Se for verdade, ela acabara de montar
o maior quebra-cabeça do mundo.

Mais complicado que o universo
só o universo dos sentimentos,
um bicho de sete cabeças difícil de domar.
No dia que alguém desvendar esse universo
talvez eu entenda o nosso,
e mergulhe nesse universo infinito.
E flutue eternamente,
eu e a solução.

(Cássio Almeida)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Estranhamente



Estranha sensação de estar longe
mesmo quando está tão perto.
Mesmo assim estranho à falta que você me faz.
Já estranho o jeito do seu jeito
e a voz que ás vezes me diz e acalma,
já estranho.
Estranhamente já me conformo com aquele
olhar perdido que já não me responde.
Só não estranho o que eu sinto
por que na sinceridade não me perco,
as vezes o pecado maior é gostar demais.
Mas não estranho isso,
pois o fim da vida talvez chegue,
mas o fim do amor não.

(Cássio Almeida)

sábado, 9 de maio de 2009

O tempo e o tempo


Quanto mais o tempo passa
menos tempo fica...

Para esquecer os problemas,
para resolvê-los e ainda bem, menos tempo
para acontece-los.

Menos tempo fica...
Para dizer a palavra certa, na hora exata,
no instante mais apropriado, que em muitas vezes
nem sempre o é.

Menos tempo pra correr na chuva,
pra amanhecer na rua,
pra bricar de qualquer coisa,
e a criança pequena cada vez afasta-se mais.

Ficar descalço, deitar na rede, sonhar...

Menos tempo fica para coisas tão simples
que qualquer um diria, não se precisa para isso, o tempo.

Beber um vinho até cair,
jogar bola até dar câimbra,
beijar até perder o fôlego,
uma Coca-Cola bem gelada,
uma carne no fogo,
e um tomate com sal.

Como deixar de cometer o pecado de desperdiçar o tempo,
se não há melhor coisa
que jogar uma conversa fora.

Ainda mais se for com as pessoas especiais.
Não há tempo que diminua o tamanho de uma amizade,
nem o coração abobado, nem um sorriso sincero.

Mas o tempo passa e menos tempo fica...
E por isso entristecer? Que nada!
O tempo nos bate na pele,
mas não nos bate na alma.
Continua o sentimento e assim
segue-se a vida.

No fundo,
o tempo não é de todo o mal,
ele até nos é gentil.
O tempo nos abre a porta,
estende o tapete vermelho,
e nós é que passamos.

(Cássio Almeida)

O Criador


Quase sempre estou assim, distante.
Imaginando o futuro
Vendo o mundo, e os mundos em volta
Vendo a rua, a calçada,
que cruzam os mundos nossos
e a esperança desse mundo bom.

Quem me dera fosse um Nostradamus desses,
que sabem o depois e o depois.
Talvez me preocupasse menos, e vivesse mais,
ou então pausasse a hora, por saber que vou viver menos.
E aproveitasse o tempo como aproveitam as crianças.
E vivesse vinte e quatro horas
como vivem as borboletas.
Talvez fizesse de mim mais forte
E não chorasse por qualquer vento que soprasse o meu coração.
E nem gritasse no vácuo, e nem escrevesse no escuro.

Mas talvez não fosse feliz com o futuro nas mãos.
Quem sabe visse o futuro tal e qual o presente.
E me doece.
E de nada me adiantaria o futuro nas mãos
se o melhor de tudo é construí-lo.
Seria mais feliz sem sabê-lo,
e não o sei.

Construíremos um mundo assim
Aos poucos
Cada um a sua maneira
E carregaremos nas costas o peso de sermos O Criador.
Criador deste mundo em que vivo, que seguirei vivendo, e morrerei.
E se depois do óbito, o mundo pós-morte for o reflexo do vivo,
criarei então aqui, um mundo perfeito para viver e morrer.

Perdoai-me então o meu criador
pelos pequenos mundos que quando criança, destruí.
Quando desmanchava os formigueiros, e de bodoque
derrubava das árvores, os vespeiros.
Será o reflexo de outra vida?
Pois ás vezes desabava o meu mundo
Ao mesmo tempo que desabava o céu.

E os cacos que ali ficavam
do céu que desabara
vinha o vento e espalhava
caco do mundo, caco do céu.

Mas como criadores que somos
Reergueremo-nos sempre
Construíremos sempre um novo mundo
Uma rua nova
que cruzará pelo breu
há eterna chama da esperança.
E construirei...
Assim como no outro dia
Apareciam inteiros
formigueiros e vespeiros.

(Cássio Almeida)

sábado, 25 de abril de 2009

Pôr-do-sol


Quando os minutos viram tempestade
como é difícil não pensar em ti
em tudo que toco, em tudo que vejo
e quando fecho os olhos, já virou um sonho.

Quando ando por aí sem rumo certo
sempre no caminho você me acompanha
e tão logo quando me perco
em qualquer canto você me encontra.

Quando o vento me sopra no ouvido
parece um vento doce
no mesmo tom de sua voz.

E quando o dia à tarde me demora
o sol espero no horizonte
com a mesma calma que a espero chegar.

(Cássio Almeida)

terça-feira, 14 de abril de 2009

Entre nós


A ponte que nos separa
não nos deixa assim tão longe
a ponte que nos mostra o caminho.
Pois a ponte invisível que nos separa
é a mesma ponte que nos uni.

Entre nós, o mundo
um mundo sublime
onde nós o tornamos assim.
Lá nos vemos,
lá nos perdemos,
lá conversamos com o tempo
lá onde a hora é mero espectador.
Quando estamos juntos
o tempo é apenas coadjuvante.

Entre nós, a vida
essa que me mata
a cada passo um passo a menos.
Por isso vivo, e como vivo
pois o cru é mais real.

Entre nós, entre linhas
que só o nosso amor desvenda
entre um olhar e o beijo
e a eterna procura
e dúvida,
entre a ponte e o outro lado.

(Cássio Almeida)

terça-feira, 7 de abril de 2009

O tamanho de uma distância


Namoro à distância dá certo?
Assunto complicado, ainda mais quando se trata de amor, todo mundo sabe que coisas relacionadas com o coração não têm explicação. Há várias pessoas que mantém um namoro a distância, mas raramente perdura. Um amor não consegue suportar os obstáculos da distância.
E vocês não estão ouvindo isso de uma pessoa que não acredita no amor ou algo assim, pelo contrário, quem me conhece sabe o quanto eu valorizo esse sentimento e toda a sua força. Mas por mais que se ame, quanto maior à distância, maior é a carência. É bom sentir saudade, claro que é, mas com o tempo essa saudade vai mostrando o tamanho de uma distância.
Você está na sua cidade e a sua namorada ou namorado está a quilometros de você, vão conhecer e conviver com pessoas que não estão ne aí se você namora ou não, óbvio que isso pode acontecer com os que moram na mesma cidade também, e você estará convivendo com pessoas que só estão esperando um momento de "fraqueza" seu para te deixar confusa.
Quando você namora, você quer estar junto, você quer conviver com a pessoa a qual entregou o seu coração, e estar longe só irá criar oportunidades contra você mesmo. De repente você acaba conhecendo alguém legal e pode começar a enxergar essa pessoa com outros olhos. E tudo isso que estou dizendo, repito, pode acontecer em qualquer lugar, só que a distância facilita a aparição dessa oportunidade.
O ser por si só, necessita de alguém por perto, necessita de seu amor à vista. Você tem que tocar, cheirar, beijar, sentir a pessoa, você tem essa necessidade pelo simples fato de ser assim. Com certeza o amor atravessa fronteiras, o amor voa longe, vai com o vento, com o pensamento, vai em sonho, vai num simples poema escrito por e-mail, o amor é indiscutível. O amor você senti em tudo isso, até em coisas inexplicavéis. Sim, o amor, mas não a sua pele.

Mas no fundo, eu também tentaria. Um conselho: Nunca desistam!

(Cássio Almeida)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Estranhos tristes


E para aqueles que entristecem
tão logo um sentimento vazio
o vácuo de um suspiro
dou um sorriso despercebido
sincero,
pois por fatos distintos
longe do entender racional
tão longe, me perco
mas não renego minha felicidade.
Sorri,
e tudo se fez mais simples.

Para aqueles que entristecem
e agora choram,
chorar é divino.
Pois os rios de lágrimas que agora derramas
também encontrarão o mar.
Sorri,
e o sol se fez mais alto.

E no fim, para aqueles que entristecem
estranhos tristes
para mim, qualquer,
mas a dor, ah a dor,
essa jamais despercebida
que para todos
a qualquer um já faz doer.

(Cássio Almeida)

Suspenso no espaço

Estou suspenso,
suspenso no espaço.
Em órbita
no meu mundo
no nosso mundo
em que mundo estamos?
Ontem acho que vi um E.T. atravessando a rua
e me abanou
não sei, as vezes não sei onde estou.
E o mundo tão mundo
o mundo criado
o mundo vivido
o mundo mudado
o mundo amado agora destruído.
Então penso, fico suspenso
o ser humano, ser pensante
ser que insiste em não pensar.
O homem destrói o próprio mundo onde mora
e depois fingi que não foi nada
liga a TV,
e fingi que é tudo novela.
Mundo que muda sempre
mundo que muda a gente
e a gente muda.
Mudo, vou pro meu mundo
e a mente suspensa
distante,
no mundo cão?
No mundo meu.

(Cássio Almeida)

segunda-feira, 23 de março de 2009

Um dia ainda aprendo


Um dia ainda aprendo, que a vida é muito mais do que apenas um viver, e viva mais, e não me preocupe tanto. A vida é algo tão sublime, que é quase um pecado desperdiça-la com coisas tão pequenas. Era para ser proibido não viver simplesmente.
Um dia ainda aprendo, a não querer ser sempre o certinho, e entenda que o equilibrio só existe por que Deus e o Diabo são vizinhos. Nem sempre estar errado é o fim do mundo, basta apenas saber usar os erros para mudar.
Um dia ainda aprendo, que o horóscopo não é um Nostradamus que prevê o futuro, e entenda que os caminhos a seguir, vai ser você que preverá. Ninguém sabe melhor o que fazer do que nós mesmos.
Um dia ainda aprendo, que a melhor forma de se aventurar, é não pensar no perigo de fazê-lo. Apenas vá lá e faça, e você perceberá de repente o que é emoção de verdade.
Um dia ainda aprendo, que abrir o coração e dizer tudo o que penso, realmente é o melhor a fazer. Fale, simplesmente fale tudo o que sente para a pessoa amada, e você entenderá que a pior dor, é a dor de um sentimento guardado.
E se depois de tanto esforço, você não entender nada, não se preocupe, a fórmula de viver a vida é não saber de tudo.
Mas mesmo assim, um dia ainda aprendo, que por mais que eu tente entender a vida, mais eu fico sem entende-la. A partir daí, quem sabe esqueço de tentar filosofar sobre o inexplicável mundo do ser, o universo infinito, e sem perder o compasso, apenas viva.

(Cássio Almeida)

segunda-feira, 9 de março de 2009

Um certo Outono


Eu te amo assim,
como as folhas que caem no Outono sem saber por que,
e depois voltam como se fosse um novo dia,
e as folhas se renovam, e renova-se o amor.

Eu te amo assim,
e as folhas vão caindo galho por galho
e o vento sopra inquieto
nos levando cada vez mais longe.

De mãos dadas nós caminhamos
e as folhas secas vão fazendo barulho
lembrando que a gente é feliz.

Eu te amo assim,
como um ano que não termina, minuto por minuto
como um Outono sem fim.

(Cássio Almeida)

O homem e a lua


Até hoje muitas pessoas não acreditam que o Homo Sapiens Sapiens pisou na lua, sim o homem. Eu sinceramente ou até ingenuamente acredito que o homem pisou na lua sim. Apesar de todas as conspirações que cercam um dos episódios mais importantes da humanidade. Mas uma coisa que me impressiona mesmo nessa odisséia, é como eles conseguiram chegar lá.
É muita tecnologia. Muita tecnologia naquela época, imaginem agora o que podem fazer, aonde podem chegar. Daqui a pouco (acredito) ir à lua vai ser como ir de Porto Alegre a São Paulo, tão simples como andar de bicicleta. Mas perguntam: _Ah! Por que então o homem não voltou a lua?
Não sei! E não vai ser o fulano da esquina que vai me explicar por que o homem não voltou a lua. Mas há uma resposta, e seja lá por que, nada vai mudar e manchar esse feito histórico.
A lua, que nos brinda com sua beleza, brilho e toda magia que a envolve. A lua dos poetas, a lua dos casais apaixonados, a lua dos lobos, a lua das marés, a lua do eclipse, a nossa lua, a lua de tantos, a mesma lua que o homem pisou e que causa tantas contradições. A lua realmente é algo fantástico.
Por isso admiro tanto esse feito.
Pois o homem conquistou o que nós só conquistamos nos sonhos. Ele pisou em um lugar que nós só imaginamos como é. Na verdade, eu não gostaria de pisar na lua e desvendar os seus mistérios, pois seria como um mágico contando o seu truque. E olhar a lua da janela não teria tanta graça, perderia o romantismo, e as serenatas nunca mais seriam as mesmas.

(Cássio Almeida)

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Em breve

Em breve, ouvirás notícias
que o mundo tal coisa,
e aquilo mais tanto,
e o que de menos eu penso se torna claro.
Tudo vai acontecendo, devagarzinho
no desenrolar do tempo
e a gente nem percebe,
e tudo acontece,
e eu com uma cara de não sei.
A dúvida é o caminho que te leva algum lugar,
e o pessoal lá na esquina não tá nem aí.
Em breve, entenderás algumas coisas,
confundir todos se confundem
confunde e se perde, viaja,
confunde sentimentos
ou a confundem.
E logo chega alguém que lhe abre os olhos.
Em breve, o tempo lhe pega no colo
e te mostra em retrospectiva
nostalgia necessária,
e você lembrará de quando era criança
e perceberá que o resto do futuro
é apenas uma continuação daquela brincadeira.
Passado e presente, tudo é prefácio para o que virá.
E cada um sorri
cada um do lado da rua
e a gente se pergunta o que é o destino?
Talvez seja não querer saber o futuro
e assim tudo parece o que é.
No mais, é o que parece ser
e a gente vai levando conforme o que se quer
sem mais nem menos
e a vida nos proporciona caminhos,
e tudo acontece.
Não agora,
mas em breve.

(Cássio Almeida)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Último acorde


A vida é um música.
Levo a vida numa melodia serena,
dedilhada,
sem pressa para não errar as notas.
A vida é arte, a vida é música.
Assim como eu gosto
no volume máximo,
felicidade máxima.

Compositores do tempo,
compõem a minha vida.
O vento, a chuva, o sol,
o mar (o maravilhoso mar,
mar amado, mar das pedras, pedras do meu reino).
O meu amor, o meu coração, o dos outros,
o sorriso, sorriso tantos, e a lágrima que não segurei
e sem rumo certo escorreu pelo rosto.
O sonho que sonhei, a hora que não tive,
o caminhar pela rua, o olhar perdido,
o abraço apertado e aquele sentimento infinito.
O inexplicável, o lógico, o óbvio descarado,
as entrelinhas entre um olhar e o beijo.
O medo, o choque, o chique,
aquela chaleira chiando ao fundo.
A vizinha que grita, o passarinho que canta,
o silêncio incompreendido das estrelas.
As imagens que mechem com a gente,
as fotografias, o natural, o apenas.
O quando, o será, o agora,
e o talvez me parece chato.
Os que me lêem, os que me conhecem,
os que já ouviram falar.
E até pra quem um dia descuidei,
ergam-se, estufem o peito,
e ponham-se diante a mim.
Pois todos, pois tudo,
tudo que é de átomo ou não
insignificante ser e sentimento por si só,
tudo que um dia a terra degustará.
Tudo.
Meras notas do meu viver,
compõem o que é a vida.

Toco a vida,
a minha vida acordoada.
E o último acorde chegará um dia
que encerrará a minha música favorita,
com notas simples, de glória, felicidade e amor.
Assim seja! Esse final musical.

Mas provavelmente não serei esse a dar o acorde final.
Quem sabe seja um alguém desconhecido,
ou de certa forma alguma coisa obscura,
imaginária.
E assim se vai levando
enquanto componho,
sigo afinando a vida.

(Cássio Almeida)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Saudade, saudade


Há dias que a saudade me bate
como quase que ensaiado
as ondas batem nas pedras.
E no recuo do mar vai levando tudo
como o vento me levou
o suspiro que deixei no ar.

O mar então se enche de saudade
dos amores que por terra ficaram
no horizonte a saudade que nos sobra
olhar bem longe os barcos que navegam.

(Cássio Almeida)

Avante

Coragem é que não nos falta
nas águas revoltas dos mares que desbravamos.
Pois o coração forte que nos faz partir
é o mesmo coração tímido
que um dia nos faz voltar.

(Cássio Almeida)

domingo, 30 de novembro de 2008

Sem medidas


Fico feliz quando olho para o mar
e mais feliz ainda quando te vejo.
E me perco nas ondas
como quase sem querer me perco no olhar.

O mar é grande
do tamanho que merece,
já o meu amor, nem imagino.
E fico feliz novamente
pois te amo sem medidas.

Amo na escala que imagino.
Sem pressa,
sem medo,
sem data nem hora,
apenas com amor.

(Cássio Almeida)

Inventar


Eu já inventei mil desculpas para não ir ao dentista;
já inventei mentiras, monstros, sonhos
só pra fugir um pouco da realidade;
já inventei um mundo imaginário
que sempre levo comigo;
já inventei muitas histórias para contar
e acabei contando a minha história;
já inventei de tudo, até o que não sei;
só não inventei essa dor
que as vezes sente-se no peito.

(Cássio Almeida)