segunda-feira, 25 de maio de 2009

A felicidade bate à porta


Viver os dias como se fosse o último...
E por que não?
O bom é ser feliz hoje,
do que esperar o amanhã de olhos fechados.

(Cássio Almeida)

quarta-feira, 20 de maio de 2009

As bergamotas


O inverno está chegando...
E junto também chega a preguiça de acordar. O inverno me faz cometer esse pecado, a preguiça. Acordar naquele clima frio é quase uma tortura, a vontade que se tem é de nunca mais levantar, ficar deitado para sempre. Das estações, se tem uma que eu dispenso, é essa estação do frio.
Quando chega o inverno, também chega-me um pouco de mau humor. Odeio passar frio, e odeio ter que me encher de roupas pra fazer passar o frio. Fosse verão o ano todo, um par de chinelos e uma bermuda já me bastava. No inverno viramos um robô, de tanta roupas que usamos.
Eu gosto é de verão. Verão por si só já deixa as pessoas mais felizes, uma noite de verão é quase insubstituivel. Há quem reclame do sol escaldante do verão e do abafamento que se tornam os dias, mas prefiro derreter no verão, do que congelar no inverno.
Um dia um amigo me disse: _Se não fosse o inverno, tu nunca teria comido bergamota! Eu nunca tinha pensado nisso, eu adoro bergamota. E comecei a pensar nas belas coisas que nos propicia esse clima gelado. Coisa boa tomar um chocolate quente com merengue, comer um fundue de queijo, ver um filme abraçadinho, sentar em frente ao fogo da lareira, e quem tem sorte poder brincar com a neve.
Realmente são coisas muito boas de se fazer no inverno. Mas aí eu fico pensando novamente, inverno é bom para as pessoas que podem fazer isso tudo, e as pessoas que não podem? No inverno as pessoas sofrem mais, pelo simples fato que o frio não perdoa. Imaginem as pessoas que vivem na rua, e têm que enfrentar por 3 meses esse inimigo invisivel. Não quero dar uma de bom samaritano, é obvio que essas pessoas também sofrem nas outras estações, porém, no inverno, a noite é inimiga.
Todas as estações tem o seu lado de cartão-postal, eu não nego, mas eu ainda prefiro e não troco por nada esse sol que nos aquece. Deixo o inverno para quem gosta realmente, pois entre calor e frio, o calor. Pena que as bergamotas não dão no verão.

(Cássio Almeida)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Buenos dias


Há coisas que gostaria de entender...
Coisas que qualquer olhar atento entenderia
mas meu olhar sempre vaga no vazio,
e não entendo.

Não sou nenhum astrônomo
quando muito apenas um admirador do céu.
A lua, o sol, as estrelas,
todo o universo me encanta
mas não entendo como possa existir um lugar sem fim.
Infinito eu achava só o meu coração.
Tudo se precisa de uma partida e uma chegada
mas como encarar o universo sem ter onde chegar.
Não entendo...
Mas não espanta-me essa dúvida
o universo é realmente inexplicável
de lá nós viemos,
mas lá não chegaremos.

Espanta-me não entender certas coisas,
coisas simples,
um olhar que revela,
um olhar que diz tudo,
um suspiro que as vezes nos diz muito.
Um sorriso que abre caminhos,
um beijo que nos faz viajar,
um abraço que nos protege,
uma lágrima que nos rende.

Não entendo muitas coisas
sobre tudo, não entendo a mim.
Não entendo como sempre no fim
o que eu achava que era simples
na verdade é um teorema.
Não entendo tudo,
mas entendo que é assim mesmo,
sem lógica,
sem critério,
assim como é a vida.
Eu não sei como tudo acontece,
mas aposto que o fulano na esquina também não sabe,
e eu tento entender o que as outras pessoas pensam.

Ontem uma cigana me disse buenos dias
e dizia que sabia o que eu pensava.
Se for verdade, ela acabara de montar
o maior quebra-cabeça do mundo.

Mais complicado que o universo
só o universo dos sentimentos,
um bicho de sete cabeças difícil de domar.
No dia que alguém desvendar esse universo
talvez eu entenda o nosso,
e mergulhe nesse universo infinito.
E flutue eternamente,
eu e a solução.

(Cássio Almeida)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Estranhamente



Estranha sensação de estar longe
mesmo quando está tão perto.
Mesmo assim estranho à falta que você me faz.
Já estranho o jeito do seu jeito
e a voz que ás vezes me diz e acalma,
já estranho.
Estranhamente já me conformo com aquele
olhar perdido que já não me responde.
Só não estranho o que eu sinto
por que na sinceridade não me perco,
as vezes o pecado maior é gostar demais.
Mas não estranho isso,
pois o fim da vida talvez chegue,
mas o fim do amor não.

(Cássio Almeida)

sábado, 9 de maio de 2009

O tempo e o tempo


Quanto mais o tempo passa
menos tempo fica...

Para esquecer os problemas,
para resolvê-los e ainda bem, menos tempo
para acontece-los.

Menos tempo fica...
Para dizer a palavra certa, na hora exata,
no instante mais apropriado, que em muitas vezes
nem sempre o é.

Menos tempo pra correr na chuva,
pra amanhecer na rua,
pra bricar de qualquer coisa,
e a criança pequena cada vez afasta-se mais.

Ficar descalço, deitar na rede, sonhar...

Menos tempo fica para coisas tão simples
que qualquer um diria, não se precisa para isso, o tempo.

Beber um vinho até cair,
jogar bola até dar câimbra,
beijar até perder o fôlego,
uma Coca-Cola bem gelada,
uma carne no fogo,
e um tomate com sal.

Como deixar de cometer o pecado de desperdiçar o tempo,
se não há melhor coisa
que jogar uma conversa fora.

Ainda mais se for com as pessoas especiais.
Não há tempo que diminua o tamanho de uma amizade,
nem o coração abobado, nem um sorriso sincero.

Mas o tempo passa e menos tempo fica...
E por isso entristecer? Que nada!
O tempo nos bate na pele,
mas não nos bate na alma.
Continua o sentimento e assim
segue-se a vida.

No fundo,
o tempo não é de todo o mal,
ele até nos é gentil.
O tempo nos abre a porta,
estende o tapete vermelho,
e nós é que passamos.

(Cássio Almeida)

sábado, 25 de abril de 2009

Pôr-do-sol


Quando os minutos viram tempestade
como é difícil não pensar em ti
em tudo que toco, em tudo que vejo
e quando fecho os olhos, já virou um sonho.

Quando ando por aí sem rumo certo
sempre no caminho você me acompanha
e tão logo quando me perco
em qualquer canto você me encontra.

Quando o vento me sopra no ouvido
parece um vento doce
no mesmo tom de sua voz.

E quando o dia à tarde me demora
o sol espero no horizonte
com a mesma calma que a espero chegar.

(Cássio Almeida)

terça-feira, 14 de abril de 2009

Entre nós


A ponte que nos separa
não nos deixa assim tão longe
a ponte que nos mostra o caminho.
Pois a ponte invisível que nos separa
é a mesma ponte que nos uni.

Entre nós, o mundo
um mundo sublime
onde nós o tornamos assim.
Lá nos vemos,
lá nos perdemos,
lá conversamos com o tempo
lá onde a hora é mero espectador.
Quando estamos juntos
o tempo é apenas coadjuvante.

Entre nós, a vida
essa que me mata
a cada passo um passo a menos.
Por isso vivo, e como vivo
pois o cru é mais real.

Entre nós, entre linhas
que só o nosso amor desvenda
entre um olhar e o beijo
e a eterna procura
e dúvida,
entre a ponte e o outro lado.

(Cássio Almeida)

terça-feira, 7 de abril de 2009

O tamanho de uma distância


Namoro à distância dá certo?
Assunto complicado, ainda mais quando se trata de amor, todo mundo sabe que coisas relacionadas com o coração não têm explicação. Há várias pessoas que mantém um namoro a distância, mas raramente perdura. Um amor não consegue suportar os obstáculos da distância.
E vocês não estão ouvindo isso de uma pessoa que não acredita no amor ou algo assim, pelo contrário, quem me conhece sabe o quanto eu valorizo esse sentimento e toda a sua força. Mas por mais que se ame, quanto maior à distância, maior é a carência. É bom sentir saudade, claro que é, mas com o tempo essa saudade vai mostrando o tamanho de uma distância.
Você está na sua cidade e a sua namorada ou namorado está a quilometros de você, vão conhecer e conviver com pessoas que não estão ne aí se você namora ou não, óbvio que isso pode acontecer com os que moram na mesma cidade também, e você estará convivendo com pessoas que só estão esperando um momento de "fraqueza" seu para te deixar confusa.
Quando você namora, você quer estar junto, você quer conviver com a pessoa a qual entregou o seu coração, e estar longe só irá criar oportunidades contra você mesmo. De repente você acaba conhecendo alguém legal e pode começar a enxergar essa pessoa com outros olhos. E tudo isso que estou dizendo, repito, pode acontecer em qualquer lugar, só que a distância facilita a aparição dessa oportunidade.
O ser por si só, necessita de alguém por perto, necessita de seu amor à vista. Você tem que tocar, cheirar, beijar, sentir a pessoa, você tem essa necessidade pelo simples fato de ser assim. Com certeza o amor atravessa fronteiras, o amor voa longe, vai com o vento, com o pensamento, vai em sonho, vai num simples poema escrito por e-mail, o amor é indiscutível. O amor você senti em tudo isso, até em coisas inexplicavéis. Sim, o amor, mas não a sua pele.

Mas no fundo, eu também tentaria. Um conselho: Nunca desistam!

(Cássio Almeida)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Estranhos tristes


E para aqueles que entristecem
tão logo um sentimento vazio
o vácuo de um suspiro
dou um sorriso despercebido
sincero,
pois por fatos distintos
longe do entender racional
tão longe, me perco
mas não renego minha felicidade.
Sorri,
e tudo se fez mais simples.

Para aqueles que entristecem
e agora choram,
chorar é divino.
Pois os rios de lágrimas que agora derramas
também encontrarão o mar.
Sorri,
e o sol se fez mais alto.

E no fim, para aqueles que entristecem
estranhos tristes
para mim, qualquer,
mas a dor, ah a dor,
essa jamais despercebida
que para todos
a qualquer um já faz doer.

(Cássio Almeida)

Suspenso no espaço

Estou suspenso,
suspenso no espaço.
Em órbita
no meu mundo
no nosso mundo
em que mundo estamos?
Ontem acho que vi um E.T. atravessando a rua
e me abanou
não sei, as vezes não sei onde estou.
E o mundo tão mundo
o mundo criado
o mundo vivido
o mundo mudado
o mundo amado agora destruído.
Então penso, fico suspenso
o ser humano, ser pensante
ser que insiste em não pensar.
O homem destrói o próprio mundo onde mora
e depois fingi que não foi nada
liga a TV,
e fingi que é tudo novela.
Mundo que muda sempre
mundo que muda a gente
e a gente muda.
Mudo, vou pro meu mundo
e a mente suspensa
distante,
no mundo cão?
No mundo meu.

(Cássio Almeida)

segunda-feira, 23 de março de 2009

Um dia ainda aprendo


Um dia ainda aprendo, que a vida é muito mais do que apenas um viver, e viva mais, e não me preocupe tanto. A vida é algo tão sublime, que é quase um pecado desperdiça-la com coisas tão pequenas. Era para ser proibido não viver simplesmente.
Um dia ainda aprendo, a não querer ser sempre o certinho, e entenda que o equilibrio só existe por que Deus e o Diabo são vizinhos. Nem sempre estar errado é o fim do mundo, basta apenas saber usar os erros para mudar.
Um dia ainda aprendo, que o horóscopo não é um Nostradamus que prevê o futuro, e entenda que os caminhos a seguir, vai ser você que preverá. Ninguém sabe melhor o que fazer do que nós mesmos.
Um dia ainda aprendo, que a melhor forma de se aventurar, é não pensar no perigo de fazê-lo. Apenas vá lá e faça, e você perceberá de repente o que é emoção de verdade.
Um dia ainda aprendo, que abrir o coração e dizer tudo o que penso, realmente é o melhor a fazer. Fale, simplesmente fale tudo o que sente para a pessoa amada, e você entenderá que a pior dor, é a dor de um sentimento guardado.
E se depois de tanto esforço, você não entender nada, não se preocupe, a fórmula de viver a vida é não saber de tudo.
Mas mesmo assim, um dia ainda aprendo, que por mais que eu tente entender a vida, mais eu fico sem entende-la. A partir daí, quem sabe esqueço de tentar filosofar sobre o inexplicável mundo do ser, o universo infinito, e sem perder o compasso, apenas viva.

(Cássio Almeida)

segunda-feira, 9 de março de 2009

Um certo Outono


Eu te amo assim,
como as folhas que caem no Outono sem saber por que,
e depois voltam como se fosse um novo dia,
e as folhas se renovam, e renova-se o amor.

Eu te amo assim,
e as folhas vão caindo galho por galho
e o vento sopra inquieto
nos levando cada vez mais longe.

De mãos dadas nós caminhamos
e as folhas secas vão fazendo barulho
lembrando que a gente é feliz.

Eu te amo assim,
como um ano que não termina, minuto por minuto
como um Outono sem fim.

(Cássio Almeida)

O homem e a lua


Até hoje muitas pessoas não acreditam que o Homo Sapiens Sapiens pisou na lua, sim o homem. Eu sinceramente ou até ingenuamente acredito que o homem pisou na lua sim. Apesar de todas as conspirações que cercam um dos episódios mais importantes da humanidade. Mas uma coisa que me impressiona mesmo nessa odisséia, é como eles conseguiram chegar lá.
É muita tecnologia. Muita tecnologia naquela época, imaginem agora o que podem fazer, aonde podem chegar. Daqui a pouco (acredito) ir à lua vai ser como ir de Porto Alegre a São Paulo, tão simples como andar de bicicleta. Mas perguntam: _Ah! Por que então o homem não voltou a lua?
Não sei! E não vai ser o fulano da esquina que vai me explicar por que o homem não voltou a lua. Mas há uma resposta, e seja lá por que, nada vai mudar e manchar esse feito histórico.
A lua, que nos brinda com sua beleza, brilho e toda magia que a envolve. A lua dos poetas, a lua dos casais apaixonados, a lua dos lobos, a lua das marés, a lua do eclipse, a nossa lua, a lua de tantos, a mesma lua que o homem pisou e que causa tantas contradições. A lua realmente é algo fantástico.
Por isso admiro tanto esse feito.
Pois o homem conquistou o que nós só conquistamos nos sonhos. Ele pisou em um lugar que nós só imaginamos como é. Na verdade, eu não gostaria de pisar na lua e desvendar os seus mistérios, pois seria como um mágico contando o seu truque. E olhar a lua da janela não teria tanta graça, perderia o romantismo, e as serenatas nunca mais seriam as mesmas.

(Cássio Almeida)

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Em breve

Em breve, ouvirás notícias
que o mundo tal coisa,
e aquilo mais tanto,
e o que de menos eu penso se torna claro.
Tudo vai acontecendo, devagarzinho
no desenrolar do tempo
e a gente nem percebe,
e tudo acontece,
e eu com uma cara de não sei.
A dúvida é o caminho que te leva algum lugar,
e o pessoal lá na esquina não tá nem aí.
Em breve, entenderás algumas coisas,
confundir todos se confundem
confunde e se perde, viaja,
confunde sentimentos
ou a confundem.
E logo chega alguém que lhe abre os olhos.
Em breve, o tempo lhe pega no colo
e te mostra em retrospectiva
nostalgia necessária,
e você lembrará de quando era criança
e perceberá que o resto do futuro
é apenas uma continuação daquela brincadeira.
Passado e presente, tudo é prefácio para o que virá.
E cada um sorri
cada um do lado da rua
e a gente se pergunta o que é o destino?
Talvez seja não querer saber o futuro
e assim tudo parece o que é.
No mais, é o que parece ser
e a gente vai levando conforme o que se quer
sem mais nem menos
e a vida nos proporciona caminhos,
e tudo acontece.
Não agora,
mas em breve.

(Cássio Almeida)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Último acorde


A vida é um música.
Levo a vida numa melodia serena,
dedilhada,
sem pressa para não errar as notas.
A vida é arte, a vida é música.
Assim como eu gosto
no volume máximo,
felicidade máxima.

Compositores do tempo,
compõem a minha vida.
O vento, a chuva, o sol,
o mar (o maravilhoso mar,
mar amado, mar das pedras, pedras do meu reino).
O meu amor, o meu coração, o dos outros,
o sorriso, sorriso tantos, e a lágrima que não segurei
e sem rumo certo escorreu pelo rosto.
O sonho que sonhei, a hora que não tive,
o caminhar pela rua, o olhar perdido,
o abraço apertado e aquele sentimento infinito.
O inexplicável, o lógico, o óbvio descarado,
as entrelinhas entre um olhar e o beijo.
O medo, o choque, o chique,
aquela chaleira chiando ao fundo.
A vizinha que grita, o passarinho que canta,
o silêncio incompreendido das estrelas.
As imagens que mechem com a gente,
as fotografias, o natural, o apenas.
O quando, o será, o agora,
e o talvez me parece chato.
Os que me lêem, os que me conhecem,
os que já ouviram falar.
E até pra quem um dia descuidei,
ergam-se, estufem o peito,
e ponham-se diante a mim.
Pois todos, pois tudo,
tudo que é de átomo ou não
insignificante ser e sentimento por si só,
tudo que um dia a terra degustará.
Tudo.
Meras notas do meu viver,
compõem o que é a vida.

Toco a vida,
a minha vida acordoada.
E o último acorde chegará um dia
que encerrará a minha música favorita,
com notas simples, de glória, felicidade e amor.
Assim seja! Esse final musical.

Mas provavelmente não serei esse a dar o acorde final.
Quem sabe seja um alguém desconhecido,
ou de certa forma alguma coisa obscura,
imaginária.
E assim se vai levando
enquanto componho,
sigo afinando a vida.

(Cássio Almeida)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Saudade, saudade


Há dias que a saudade me bate
como quase que ensaiado
as ondas batem nas pedras.
E no recuo do mar vai levando tudo
como o vento me levou
o suspiro que deixei no ar.

O mar então se enche de saudade
dos amores que por terra ficaram
no horizonte a saudade que nos sobra
olhar bem longe os barcos que navegam.

(Cássio Almeida)

Avante

Coragem é que não nos falta
nas águas revoltas dos mares que desbravamos.
Pois o coração forte que nos faz partir
é o mesmo coração tímido
que um dia nos faz voltar.

(Cássio Almeida)

domingo, 30 de novembro de 2008

Sem medidas


Fico feliz quando olho para o mar
e mais feliz ainda quando te vejo.
E me perco nas ondas
como quase sem querer me perco no olhar.

O mar é grande
do tamanho que merece,
já o meu amor, nem imagino.
E fico feliz novamente
pois te amo sem medidas.

Amo na escala que imagino.
Sem pressa,
sem medo,
sem data nem hora,
apenas com amor.

(Cássio Almeida)

Inventar


Eu já inventei mil desculpas para não ir ao dentista;
já inventei mentiras, monstros, sonhos
só pra fugir um pouco da realidade;
já inventei um mundo imaginário
que sempre levo comigo;
já inventei muitas histórias para contar
e acabei contando a minha história;
já inventei de tudo, até o que não sei;
só não inventei essa dor
que as vezes sente-se no peito.

(Cássio Almeida)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Um velho menino


Como serei quando tiver setenta anos?...
O que terei me tornado,
o que terei conquistado,
o que terei perdido,
as desilusões,
os romances, os amores que vivi.
Como serei?
O que terá ocorrido nesse longo caminho,
onde estarão os meus amigos,
os amigos velhos, os amigos novos,
a minha família.
O que terá ocorrido com o mundo
até os meus setenta anos de vida?
Quantas guerras terão passado,
quantas mentiras, quantas injustiças.
Haverá água? Haverá vida?
Ainda existirão os animais em extinção?
Como serei aos setenta anos?
Serei careca, ou haverá alguns cabelos brancos
contando uma história que não é só minha.
E os outros como serão?
E os dias como andarão?
O caos, os engarrafamentos, as buzinas,
será que haverá espaço para os carros?
E o nosso espaço cada vez mais se traduz
em uma senha de msn.
E a saúde? As doenças, Aids, câncer,
terão descoberto a cura?
Ou será tudo um conto de fadas.
Morro de curiosidade das futuras descobertas sobre o Universo
que até perco o sono tentando imagina-las.
Fico pensando como vai soar aos meus ouvidos as músicas que escuto hoje.
Fico pensando quantos títulos meu time terá ganhado e perdido.
E quantos choros,
e quantos sorrisos,
quantos abraços e beijos
ganhados, negados e imaginados.

Como serei?

Espero ser não apenas um velho
mas um velho menino ainda.
Que fique com a idade estampada na pele,
mas que minha alma ainda corra como uma criança
e siga brincando e brindando a vida e o tempo.
Pois não me assusta morrer um dia,
(em uma teoria minha: não morrerei!),
mas atormenta-me que um dia esse menino canse
e deixe de brincar.
Se isso acontecer, então terei morrido ainda vivo,
e tão pouco importa o resto.
Mas se isso venha acontecer mesmo,
que não venha nos meus setenta anos,
espere um pouco mais,
quem sabe um dia quando o sol apagar-se.

(Cássio Almeida)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O futuro gentil


Há quem diga que o futuro são os robôs,
que robô que nada
quem tem sentimento é que vive.
O resto... é uma carcaça sem cérebro e coração.
Fazem coisas sobre-humanas,
mas não são capazes de um gesto de carinho.

(Cássio Almeida)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Por completo

Desculpem-me os corações modestos
os mares revoltos, os ventos que sopram
e os sentimentos dispersos.
Mas não sei amar pela metade.

Amo por completo, e somente.
Não me convém um carinho desperdiçar
se tão sincero no dizer me mostro
tão mais no sentir eu sou.

Amo verdadeiramente coisas pequenas e simples
e nada perde o seu valor
quando amado por inteiro.

Amo por completo, e somente.
Pois não quero que levem de mim
apenas a metade de um sorriso.

(Cássio Almeida)

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Nas pedras do mar


Sentado nas pedras
vejo a maré chegar de mansinho
como o vento que agora trás sossego
e o ar frio que lembra de onde sou.

O mar gelado choca-se nas pedras do meu reino
contando segredo das profundezas
sereias do oceano abrem caminho
para enfim entender-me o mar.

Horizonte torto não agora
pois brindo a vida que me acolhe
e o coração ainda segue na direção da correnteza.

Nas pedras do mar sou rei
coroado por mim e pelas ondas
deste reino que verdadeiramente me destrai.

(Cássio Almeida)

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Queridas eleições


Época de eleição é algo fantástico. É impressionante como surgem salvadores da pátria, super-heróis, pessoas que mudariam o cenário nacional, e que aos meus ouvidos não parecem idéias novas do que as dos anos anteriores.
Todo ano de eleição é assim, surgem pessoas que eu nunca vi na vida, e outras que eu sempre as vejo. E como são pessoas boas, simpáticas, parecem da família, os melhores amigos de tanta confiança que nos passam. As mesmas pessoas que não parecem ás mesmas depois das eleições.
Agora não se pode mais fazer comícios e showmícios, que eram típicos nas eleições. Agora os políticos têm que fazer seu próprio comício particular, no cotidiano das ruas, de casa em casa. Eu pude comprovar isso na minha cidade natal, cidade pequena, e por isso mais fácil de identificar as carinhas, cidade pequena todo mundo se conhece. De férias na minha cidade, bastou uma tarde para vários candidatos irem me visitar. Bateram em minha porta, de todos os partidos, e mais uma vez como se mostraram amigáveis, simpáticos, os mesmos que um dia já me viraram á cara.
Não quero generalizar, estereotipar, claro que existem os verdadeiros, que realmente são o que são, mas não me passam os oportunistas, os interesseiros que levantam uma bandeira que na casa deles estava atirada suja como pano de chão, siglas de um partido que nem sabem o que significam, apenas letrinhas.
E em quatro em quatro anos é assim, surge o partido PREPB, Partido dos Renovadores da Esperança do Povo Brasileiro. E eles realmente são os melhores. Nos batem na porta, entram em nossa casa, apertam as nossas mãos, nos dizem um texto magnífico, e a gente ingenuamente acredita.

(Cássio Almeida)

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Mãe, deu!


Quando tinha uns 8 ou 9 anos eu imaginava que quando tivesse uns 22 por aí, eu ia ser formado, casado e com um filho a caminho. Talvez por que aquele 22 me parecesse tão distante, e de fato eu achava que não ia chegar nunca. Mas o tempo passa rápido e a gente nem percebe.
Chegou os 22, eu ainda não estou formado, penso em me casar (mas ainda não), e um filho agora só se acontecesse um deslize. Mas está tudo nos conformes, afinal, aquele meu pensamento é o que muitos pensam em relação ao futuro quando se é criança.
A gente vai crescendo e aprendendo muita coisa, vai construindo seu próprio caminho, amadurece, você deixa de brincar de carrinho, nasce barba, fica com cara de mais velho, deixamos coisas para trás, mas uma coisa nunca perderemos, que é o lado criança que levamos dentro de nós. É o que me parece, mas vai saber o futuro, de repente esse lado pode sumir. É o que realmente me assusta e me dá medo.
Atormenta-me que um dia eu possa esquecer esse meu lado criança, e me tornar apenas um adulto, de corpo e alma. A infância é o que nos preserva jovens, a pele é apenas uma capa protetora que protege o mais importante que é a nossa alma. O corpo vai envelhecer, mas que nunca envelheça o meu espírito de criança.
Quando estava no banheiro e gritava: _ Mãe, deu! Eu estava sentado no troninho, imaginando como seria o futuro quando tivesse que me virar sozinho. Hoje aquelas palavras me dizem muito mais, não são apenas palavras, mas uma página da nossa história que eu quero que fique guardada para sempre.
Aquela história que toda criança é eterna, eu levo ao pé da letra, é a minha filosofia de vida, eu sou um bobão, um crianção e não me envergonho disso, pois me recuso a renegar a minha felicidade.
Tá certo que eu já não grito mais do banheiro, mas me dá uma saudade.

(Cássio Almeida)

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Dia D


Dia D destrói,
dinossauros, duendes, dumbos, Duartes, decotes,
desertos, dromedários, doutores.
Delirante dia D,
durmo de dia, danço,
dedilho, doem dedos,
dobram dinheiro,
dinamitam deveres.
Dia D desafiador,
desafiam Deuses, demônios,
dragões, dráculas, donzelas.
Dias delas denominam devoções,
decoram, desfilam.
Desgraçados ditadores,
dominam, ditam, detonam.
Desertores desistem
decorrentes da dor.
Dois, dez, doze, duzentos,
descongelam delírios,
descem devagar, divagando.
Dia D, dos diamantes,
dos dominós, dos dentes,
dietas desconfortantes.
Dopados desinfetam diagnósticos
descrevem diários,
delimitam destinos.
Dia D,
do descobrimento
diante do desespero
danadinha dama
despiu-se do descobridor.

(Cássio Almeida)

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Aimer


Por que gostamos de quem gostamos?

Pergunta sem resposta,
não existe lógica que explique o de repente.
É como o mar,
não sabe-se o que a maré trará
de repente a onda vem e nos acerta.

Fosse fácil, fazia do meu jeito.
Quem sabe tocasse uma música no alto da Eiffel,
ou escrevesse o nome no Arco do Triunfo.
Isso é Aimer...

Eu gosto por que gosto,
sem culpa, nem pressa.
Não brigo com as horas,
prefiro aliar-me ao tempo.

(Cássio Almeida)

Ventrículo


Hoje achei que o meu coração fosse pequeno
por que sempre está cheio, transbordando,
explodindo.
E talvez não tivesse lugar pra mais ninguém.

Que nada,
coração pequeno é lenda.
A diferença está em nós,
cada um da sua maneira
ou o diminui, ou o engrandece.

O que diferencia é o que sentimos.

Meu coração não é pequeno,
meu amor que é gigante.

(Cássio Almeida)

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Um lugar distante


Aquele lugar distante
tão perto no pensamento,
passos firmes,
mas os olhos inquietos.
Me convém certo ou não
distinguir os elementos
concreto,
oco,
aquele zunido que segue no ouvido.
E aquele ar,
e aquele clima,
e aqueles, e aquelas,
e aquilo...
E afinal o que é isso?
São coisas que ficam
na memória não sei,
quem sabe no peito
e a certeza da volta.

(Cássio Almeida)

quarta-feira, 16 de julho de 2008

O que nos fica dos avós


Dos avós fica aquele sentimento infinito
infidável, como os beijos, os abraços,
os presentes, a eterna proteção mesclada de pai e mãe.
Nos fica as mãos velhas do tempo a nos acariciar,
o café da tarde,
as lembranças do almoço no Domingo.
Nos fica as histórias de quando eram jovens,
e de como tudo era diferente,
um tempo distante.
Nos fica as pescarias a beira mar,
ou num açude qualquer,
e o peixe era o que menos importava
o bom era estar junto.
Nos fica a testa franzida
quando não fazíamos as coisas do jeito deles,
um tempero diferente,
um corte de grama esquisito,
uma carne mau espetada...
Na verdade eles sempre quiseram nos ensinar o melhor.
Nos fica o rosto atento do vô escutando as notícias no rádio,
e o rosto atento da vó esperando o bolo crescer.
Nos fica a felicidade estampada na cara
quando contavam proezas da juventude,
festas, brigas, namoros, histórias dos nossos bisavós.
Nos fica o orgulho deles a nos segurarem no colo,
e ao caminharem nos segurando a mão.
Dos avós nos fica os conselhos para se ter uma vida boa,
para sermos uma boa pessoa,
para sermos alguém,
eles nos ensinam a ter caráter.
Conselhos que me ensinaram a ter um coração gigante,
conselhos que nos ficam para sempre,
guardados,
junto dos beijos, dos abraços,
junto do amor deles.
Dos avós,
nos fica tudo.

(Cássio Almeida)

O sussurro da palavra


Um lápis,
uma caneta,
um giz,
um tijolo de construção.
Um carvão,
um batom,
um vidro embaçado,
um graveto na areia.
Um canivete na árvore
e mil mensagens de amor.
As diversas formas de escrever
para se ter a certeza
que nunca se encontrarão
a palavra e o silêncio.

(Cássio Almeida)

Falando de solidão


Um dia me disseram da solidão
que contradição,
sozinho anda alguém
a solidão nunca anda só.

(Cássio Almeida)

terça-feira, 1 de julho de 2008

As coisas simples que há


Parabéns pra você
que anda descalço sem a preocupação de sujar o pé;
Parabéns pra você
que toma banho de chuva sem medo de se resfriar;
Parabéns
pra quem vê Chaves e ainda ri;
Parabéns pra você
que se emociona quando lembra do Ayrton Senna ou
dos Mamonas Assassinas;
Parabéns
pra quem pede bis quando a música é boa,
ou quem aplaudi quando não é tão boa assim;
Parabéns
pra quem canta, mesmo que seja desafinado;
Parabéns
pra quem lê gibi e torce pro Cebolinha não apanhar da Mônica;
Parabéns pra você
que ri mesmo sem ter graça,
pra você que pede pra explicar de novo;
Parabéns pra você
que sabe pedir desculpas, e sabe dizer obrigado;
Parabéns pra você
que sussurra um eu te amo;
Parabéns
pra quem senti saudade,
pra quem foge sem rumo certo,
parabéns pra quem sabe voltar.
Parabéns pra você
que sabe valorizar os amigos,
porque os amigos é o que há.
Parabéns pra você
que toma um porre de vez em quando;
Parabéns pra você
que abre o coração e diz tudo o que senti;
Parabéns pra quem escreve um poema,
mesmo que seja uma bobagem,
porque a bobagem é o que há.
Parabéns pra você
que erra mas aprende;
Parabéns pra você
que come sorvete até no inverno;
Parabéns pra você
que come brigadeiro e se lambuza todo;
Parabéns pra você que acha que é sempre verão;
Parabéns pra quem sonha,
pra quem não desiste,
pra quem trabalha,
pra quem corre,
pra quem pula e grita gol.
Parabéns pra quem ainda vai imaginar um monte de coisas.
Parabéns...
Uma salva de palmas pra você que é feliz,
que valoriza as coisas simples da vida,
pois a vida,
é o que há.

(Cássio Almeida)

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Porque nascemos chorando


!!! Buááá Buááá !!! Mais um que nasce.
Porque nascemos chorando, ao invés de dar um belo sorriso?
Dizem que o choro é um sinal que tudo está bem com o bebê, que está com saúde, que está vivo.
Mas que sinal melhor de tudo estar bem do que um singelo sorriso.
Dizem: _ Ah, mas é do instinto dos bebês nascerem chorando.
Mas porque não ser do instinto nascerem sorrindo, brindando a vida, o novo mundo que chega... O mundo.
Tragédia em Nova York, terroristas fazem atentado as Torres Gêmeas;
Estados Unidos invadem o Iraque, e as baixas continuam;
Tsunami devasta parte da Ásia e desabriga milhares de pessoas;
Pai prende a filha por mais de 20 anos em quarto no subsolo;
Menina Isabela é atirada da janela do seu prédio, suspeitos são o pai e a madrasta;
Salário mínimo aumenta dois reais;
Deputado gasta mais de mil reais em cesta de lixo e um abridor;
Mulher é detida por roubar um pote de manteiga;
Em outro canto alguém ri com o dinheiro na cueca;
A água está acabando;
O calor está aumentando;
Esses dias um vulcão no Chile entro em erupção;
E esses dias o Brasil tremeu;
Dizem que no SUS, no INSS, e no barzinho na esquina tem uma fila gigantesca;
Nasce uma criança no Brasil a cada três segundos;
!!! Buááá Buááá !!! Mais um que nasce. (Na barriga da mamãe está quente, estão protegidos).
Talvez o instinto dos bebês seja a beira da premunição, e adivinhe o que está vindo. Por isso não sorrir, por isso nascem chorando.
Talvez eles não queiram mais nascer.

(Cássio Almeida)

terça-feira, 24 de junho de 2008

Uma canção para alguém especial


Procurarei as frases certas
a melhor simetria
e sussurrarei ao seu ouvido
a canção perfeita.
Uma canção que te faça rir,
que te faça sonhar,
uma canção que te faça suspirar.
Escreverei mil vezes se for preciso,
e escreverei, escreverei, escreverei,
e cantarei aos quatro cantos
uma canção para alguém especial.
Que seja suave, serena,
que te faça feliz
e não faça esquecer de mim.

(Cássio Almeida)

Amar o mar amor


Amor, amar o mar
pois é nele que vamos navegar
por aí apenas, sem pressa
sem bússola a nos guiar.
Amor, amar o mar
só nós dois a navegar
e ver como somos pequenos
diante de tanta imensidão.

Corre, corre, corre
como um rio que se desloca para o mar
vêm como o vento, como a dor,
vêm como um sorriso fácil.

Dizem que existem por aí
almas de pedra, olhos de pedra
que não se desgastam e enfraquecem
nem com a chuva forte.
Então coração não há.

Amar o mar amor
e ver que há horas que todos são iguais,
deixe que o horizonte mostre
como o mar é grande,
que as vidas passam,
e que as pedras também choram.

(Cássio Almeida)

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Os jardins onde o sol bate mais forte

Talvez um dia vamos
aos lugares que sempre escolhi
e caminhe pelos jardins
onde o sol bate mais forte.
E voltemos a brincar descalços
sem a pressa da hora
e sem o medo do tempo.
Que continue o medo do escuro
e de um tal velho do saco.
Que me preserve as lembranças
onde tudo foi bom
que continue os mares
e os lugares que ainda não fui
seja tudo aquilo que eu ainda não sei.

(Cássio Almeida)

terça-feira, 27 de maio de 2008

Velhos caminhos


Ando solto sem fronteiras
vôo longe
como pássaros que migram.
Não me convém o caminho escolher
no meio da encruzilhada sigo o meu coração.
Pois a vida que escolhi é mar
tão imenso, cheio de mistérios
que nos dá inspiração e força
visto pelos olhos certeiros.
Quando muito é profundo apenas
como um abismo sem fim
visto pelos olhos errados não sei
apenas quem sabe
ainda não avistaram o horizonte.
Fui pelo caminho que o coração escolheu
e sabe-se lá o que a maré nos irá trazer
guardo tudo.
Pois quando o mar secar
o sol apagar
e o coração esvair-se
de tudo terei guardado
começará o momento nostálgico
e visitarei os velhos caminhos.

(Cássio Almeida)

São e o Dragão


O tempo errado que eu não sei
talvez na vida real nunca existiu
e o São sozinho
hoje São de todos derrotou o Dragão.
Libertou o espirito bandido
que hoje cospe fogo nas ruas
vaga a solta, a nos soprar os ouvidos.
Agora matamos o Dragão e não mais o leão,
e o guerreiro São que ainda nos vive
segue a caça com o seu cavalo branco.
E nas batalhas da vida
somos nós os guerreiros de São
a brigar nos dias de hoje
com a alma do Dragão.

(Cássio Almeida)

quarta-feira, 30 de abril de 2008

O traje

Tenho medo de você
que não sei com quem converso.
Você que faz parte de alguma coisa
que faz parte do futuro
que também irá construir
que irá moldar ao seu modo
e que eu não sei se vou gostar.
Eu não sei se você é do mal ou do bem.
Se for do mal, mal vestido,
esse traje que o botaram,
que te esconde,
que te nega,
que diz quem você não é,
que transforma tua imagem no espelho,
dispe-se.
O traje agora é tragico,
mas se for do bem, ainda bem,
se for do bem, bem melhor.

(Cássio Almeida)

Tropeço

Como escondem os sentimentos
uns certos alguém.
Esconde por que não tem?
Ou será que esconde-se bem?
E o meu sentimento que não é invisível
segue a vagar a procura do teu.
Um dia sem querer tropecei na ilusão
e sem saber acabei brincando
de ter um coração.

(Cássio Almeida)

Presidiário esfomeado


Quando a porta fecha
e a luz apaga
presidiário esfomeado.
Na escuridão a solitário fede
na barriga a solitário ronca.

(Cássio Almeida)

terça-feira, 1 de abril de 2008

O mate que sorvo de manhã


Vou campeando
pelo mato e descampado
com o cavalo crioulo, de pêlo escuro, queixo quebrado,
e levo o cusco companheiro nas patas, sempre fiel.
Vou campeando
tocando a gadaria, quebrando geada
e levo no pala, o orgulho da minha pampa sulina.
O sangue caudilho ferve na veia,
e a cada pedaço de chão,
dos tempos de 35
se sente ainda a garra da raça farroupilha.
E a cada porteira aberta,
e a cada banhado e coxilha,
eu cruzo devagar, com a mesma calma do dia,
em que sorvo pela manhã, o amargo mate.
Depois volto pras casa
com o sentimento de dever cumprido,
o sol já brilha alto
e o pala eu trago comigo.
Trago também o Rio Grande
nas patas do meu cavalo,
vem na garupa a saudade da amada
e o cusco amigo tras a caça.
E todo dia é assim,
o mate que sorvo de manhã
ilumina a coxilha, aramado e porteira,
pra camperiar solito
o caminho da querência.

(Cássio Almeida)

segunda-feira, 31 de março de 2008

Pelo meio fio


Eu sigo sempre assim,
pelo meio fio.
De um lado loucos, monstros imaginários,
que de fato sempre me assombraram.
Do outro,
precipícios, buracos negros,
lugares nunca vistos, convidativos ao deserto.
Pra não sair da linha eu sigo assim,
pelo meio fio.
Passo por passo, mas sem medo de cair.
Assim conheço os mundos novos,
e toda a sua filosofia,
são universos espalhados pelas ruas.
O meio fio é a ponte
de um rio que corre sem fim.

(Cássio Almeida)

sábado, 29 de março de 2008

Olhos alheios


O que será que me vêem
os olhos alheios,
a distância observam
e conspiram.
O que será que me pensam
aqueles olhos distantes
que tão perto, não dizem nada.
O que será que me dizem
aqueles olhos fechados
queria eu que nunca se fechassem.
Será o mesmo olhar meu
que sem saber me entrega.
Há um choque de olhares
em todo o lugar.
E se confrontam, e se tocam,
e se imaginam.

Olhares múltiplos,
que também podem ferir,
o olhar também feri.
Mas nem se preocupe,
um olhar também vai te curar.

Mas olhar divino mesmo,
os que não possuem olhar.
Enxergam com as mãos e com o som.

E não importa o olhar.
Pois no final o que vai contar mesmo
é o olhar que nos chega ao coração.

(Cássio Almeida)

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Múltipos mim


Outrora me quis ver
quis-me entender
cara a cara comigo mesmo.
E então descobrir, humildemente,
esse mundo tão distante, estranho,
e indiferente que eu sou.
Espelhos não adiantam mais,
não refletem o mais importante
que é o sentimento.
Então, múltiplos mim fabricarei.
E enfim ver-me, ouvir-me, e
entender-me.

No lugar onde se fabricam os sonhos,
talvez me encontre.
Rindo numa esquina qualquer,
falando poesia num ouvido desconhecido,
ou olhando da janela pro amor que vai passar.
Talvez,
mas ninguém dirá que múltiplos mim
diferentes de mim serão,
pois não há lado meu
que se diferencie
quanto ao coração.

(Cássio Almeida)

O fantástico mundo da geladeira


Mais uma vez abro a geladeira,
o passatempo preferido nos parece.
Que nada, não tem nada.
No fundo imaginamos a geladeira um portal de ilusões.
Abriremos, e lá aparecerão dragões cuspindo fogo, castelos,
duendes, ouro, um pudim e uma coca-cola.
Que nada, não tem nada,
só água gelada, um pote de manteiga,
e aquela lâmpada queimada.

(Cássio Almeida)

Pulsante


Coração bate forte
inúmeras razões
Meu amor, meus amigos,
meu time e indecisões.

E o coração bate forte
não cansa de bater
E pulsa o pulso
e segue a vida.

(Cássio Almeida)

Triz

Por um triz não é soneto
a poesia de minha vida.
Cantaria os versos tão simples
quanto canto a canção perfeita.
Quartetos de mar,
tercetos de amor.
Mas se desfez o soneto
e virou tempestade.
Acalmo-me como se acalma a dor.
Logo se vai a viração,
e chega o fim da tarde.
E a poesia de minha vida
novamente
vira calmaria.

(Cássio Almeida)

Conversações


Conversando o tempo passa rápido
Por que não passaria?
Passam também os outros
e suas conversações.
Falam do futuro, de coisas casuais,
falam também o difícil,
e a simplicidade impera.
Conversando o tempo passa rápido
e passa,
pois nada é mais estático
e para,
que um momento de silêncio.

(Cássio Almeida)

Passado escrito a lápis


Eu gostava muito de escrever a lápis. Não sei bem por que. Talvez seja por causa das coisas que se tinha devido ao uso do lápis: uma borracha, um apontador e no mínimo outro lápis. Sim, por que tinha uns que você começava a fazer ponta e não terminava nunca, o que acabava mesmo era o lápis. Não sobrava nada, ou melhor, só sobrava a sujeira.
O destaque em termos de lápis na época, eu me lembro, era um lápis meio emborrachado. Todo mundo acabava quebrando o lápis tentando entorta-lo. Era bom de escrever com ele, realmente era o melhor, mas eu confesso que quebrei muitos deles também.
Borracha: lembro-me de duas. Eu sempre quis ter aquela borracha com uma metade azul e a outra vermelha (a parte azul diziam que apagava caneta) eu nem usava muito caneta, mas claro, eu tive que fazer o teste: acabei furando a folha do caderno. Essa história que a parte azul da borracha apaga caneta é pura lenda, pode acreditar.
Mas a minha borracha preferida sempre foi aquela bela e quadrada borracha branca, aquela com uma carinha no meio. Até hoje eu não sei quem é aquele senhor estampado no meio da borracha, que frustração, ele devia ser o inventor da borracha ou algo assim, sei lá. Mas aquela parar mim era a melhor.
O apontador, bom, é um capítulo à parte. Com certeza era o que mais ocupava espaço no estojo, isso quando entrava no estojo. Se tinha uma coisa que não me chamava a atenção, era o apontador. Eu tinha daqueles bem simples. Além disso, eu sempre acabava ficando só com a lámina mesmo. Esculpia verdadeiras obras de artes nos meus lápis e uns dolorosos cortes nos dedos.
Mas o que algumas pessoas possuiam não eram somente apontadores, o apontador era apenas um mero coadjuvante por trás do ator principal.
Na verdade eram apontadores fantasiados de carros, elefantes, casas e o que mais você puder imaginar. O mais impressionante que eu vi foi de um colega. Era nada menos que um trem (ele me disse que o apontador ficava localizado entre o 5º e o 10º vagão, por aí).
Mas apesar de tudo isso, agora só escrevo à caneta, nada de lápis.
Esses dias encontrei umas anotações antigas escritas à lápis, não consegui ler nenhuma frase, de tão fracas que estavam as letras. A única coisa que identifiquei, foi um risco azul de caneta que eu fiz pra testar uma certa borracha da época.
Por isso, nada de lápis. Com o tempo, o passado escrito à làpis acaba sumindo. Agora só uso caneta.
Até que é interessante, tem até um líquido que apaga caneta. Mas eu não uso, eu rasuro e escrevo por cima mesmo, depois eu só passo a limpo.
Eu me rebelo oficialmente com o passado escrito à lápis, agora só escrevo o futuro e na base da caneta, mas sempre com o olhar desconfiado igual daquele senhor do meio da borracha.
Dizem que tem até uma caneta com sete cores diferentes para escolher, é só apertar o botão e deu!
Que frescura!!! Imagina o tamanho da caneta?
Hum... isso táme lembrando aqueles apontadores.

(Cássio Almeida)

José Maria

De tantos Josés, de tantas Marias
são todos Josés, são todas Marias.
E eu me encontro assim, perdido,
no mundo dos Josés e das Marias.

E o que me diz José?
E o que me diz Maria?
Pergunte pro José,
pergunte pra Maria.

E eu caminhava e cantava,
e seguia José e seguia Maria.
Mas todos os lugares me levavam
para o lado de lá do que eu queria.

Tudo era José e tudo era Maria.
E eu nunca me encontrava.
Nas placas diziam José,
nas casas diziam Maria.

Então assim nos nomearam
Agora somos José, agora somos Maria
José Maria igual à todos.
Pois na diferença isolaram-nos.

Agora não, agora somos iguais.
Já não nos zombam os Josés
Já não nos zombam as Marias.
Pois agora o diferente se perdera.

Agora estou sem graça,
já não vejo graça.
Tudo é espelho,
mesma face desgastada.
Mesmo gosto, sem gosto,
mesma cor, sem brilho.

Tudo igual no mundo dos iguais.

Pois nos negaram a identidade
botaram-nos sobrenomes
só não nos tiraram à alma
pois a alma não tem cor.

(Cássio Almeida)

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Alguém que me explique como tudo se fez


Big Bang!!!
E tudo se fez...
Só não fez-se a solução.

(Cássio Almeida)

Amigos


Aqueles que te fazem rir
num momento triste da vida,
aqueles que choram junto
e nem sabem por que.
Mas amigo mesmo aquele
que chora e ri,
chora e ri de novo.

(Cássio Almeida)

Em busca

Procurava,
não sei ao certo o que.
Uma simples resposta,
para uma simples pergunta.
Ou quem sabe um pingo de tinta,
para uma vida sem cor.
Procurava,
uma palavra que tivesse sentido.
Queria ao menos achar o certo,
sem me preocupar com o que eu fiz de errado.
Talvez nada quisera encontrar,
apenas tivera fugindo.
E ao procurar eu me escondia.
Mas o pior de fugir da vida,
era procurar algo que não tivera perdido.

(Cássio Almeida)

O capricórnio alado


Rumava para o trabalho sempre pelo mesmo caminho. Cruzava pelas mesmas pessoas, na mesma hora, no mesmo local. Mas um dia alguma coisa aconteceu. O mendigo que sentava na esquina me chamou. Eu já ouvira histórias sobre ele, a mais estranha contava que ele lia todo dia um jornal de anos atrás.
Quando me aproximei, as folhas amareladas do jornal comprovavam a tal história.
_ Não precisa ter medo _ disse-me o mendigo, olhando para o jornal.
_ Não estou com medo _ respondi.
_ Então sente-se aqui Joãozinho louco.
Agora realmente ficara com medo, ele chamou-me por um apelido de criança. Eu já tinha até esquecido, mas ele fez questão de me lembrar do apelido, que por sinal, eu odiava.
_ Quem é Joãozinho louco? _ retruquei.
_ Ora João, você sabe.
Tive que admitir.
_ Como você sabe desse apelido, eu nunca falei sobre isso com ninguém.
_ Ah, você já deve ter ouvido muitas histórias sobre mim. Nunca ouviu falar que eu sou um adivinho.
Adivinho, essa era mais uma história que eu ouvira sobre ele, e de novo a história comprovara-se. Lembro até uma matéria que um jornal fes com ele: "O profeta das ruas".
Continuei...
_ Sim, já ouvi falar muito das suas histórias. O profeta das ruas, lembrei-lhe.
_ Pois é _ disse ele, folhando o jornal de folhas amareladas.
_ Aqui está! A matéria que você se referiu.
Agora começava entender a tal história do jornal.
_ Ah! É por isso que você lê o mesmo jornal todos os dias, você fica aí se admirando no jornal.
_ Na verdade é por causa do horóscopo.
_ Horóscopo?
_ Sim, que signo você é? _ perguntou-me.
_ Capricórnio _ respondi.
_ Pois é, eu também.
Não estava entendendo nada, mas ele tratou de me explicar.
_ Quando você era criança, você tinha um sonho, não é?
_ Sim, mas fui crescendo e o tempo me fez esquecer.
_ Eu sei, deve ter sido difícil pra você, afinal, não é comum alguém querer voar como um pássaro.
Cada vez mais aquele senhor de barba branca e roupas esfarrapadas me surpreendia.
_ Mas como você sabe de tudo isso?
_ Eu estava lá.
_ O que?
_ Você lembra quando começou a desestir do seu sonho.
_ Claro, foi quando eu subi no alto de uma árvore e pulei. Eu queria tentar voar. Eu me salvei por que cai em cima de um homem que passava por lá.
_ Pois é, até hoje eu tenho problema de coluna por causa disso.
_ Não acredito!!! _ falei surpreso.
Nesse momento abraçava-lhe com toda a força. Afinal, se não fosse por ele, eu estava voando no céu há essas horas.
_ João, eu tenho o mesmo sonho que você. A diferença, é que você não teve medo de saltar e descobrir que era impossível voar. Eu tenho medo, por isso sigo com esse sonho de criança. Eles me chamam de louco também. Agora eu vivo na rua, nessa esquina, onde encontrei esse jornal com a minha matéria. O horóscopo é o que me motiva, olha aqui _ me mostrando o jornal de folhas amareladas.

Capricórnio:
"Hoje você acordou de alto astral, não é?
Então não espere mais para dar um salto na vida.
Espanda os seus horizontes, voe para longe."

Agora eu sinto o que passa pela cabeça dele. A minha coragem livrou-me de um sonho impossível. Agora o medo, prende o velho mendigo na esquina.
Entreguei-lhe o jornal, não sabia o que dizer. Ele estava em silêncio, coloquei as minhas mãos em seus ombros e disse:
_ Preciso ir trabalhar, mas foi bom ter conversado com o senhor. Como é mesmo o seu nome?
_ João _ indagou com a voz trêmula.
Mais uma vez ele me assustou. Dei tchau e fui trabalhar.
Depois de um dia de trabalho, voltava eu, pelas mesmas ruas de sempre, na mesma rotina. Quando estav perto do local onde tive a conversa com o mendigo, avistei um aglomerado de pessoas em volta de alguma coisa que eu não sabia o que era.
perguntei para uma pessoa o que havia acontecido:
_ Hei rapaz! O que está havendo aí?
_ Dizem que uma pessoa se atirou do prédio aí em frente.
_ Espantei-me, a primeira coisa que fiz foi olhar para a esquina pra tentar avistar o mendigo. Ele não estava lá, pensei o pior.
Quando cheguei perto da multidão, avistei um corpo coberto por jornais. Um jornal de folhas amareladas sujas de sangue.
Eu não acreditava, o meu coração disparou. Ele não podia ter feito isso.
De repente eu escuto uma voz enraivecida:
_ Eu não acredito!!! Sujaram o meu jornal.
Olhei para trás, e lá vinha ele com a sua barba longa e suas roupas esfarrapadas. O mendigo sem se preocupar com a situação, que de fato era triste, indagou:
_ Pô! João, hoje em dia não dá pra descuidar mesmo, foi só eu virar as costas que afanaram o meu jornal, assim não dá!
Segurei um sorriso. E o mendigo João ainda disse mais uma:
_ É, mais um sonhador hein, eu sou sonhador e mendigo, mas não sou burro, tá louco, dessa altura nem pensar. Quem sabe de cima de uma árvore.
Dois capricornianos, duas vidas. Essa noite eu não fui para casa, tinha muito o que conversar. O mendigo e eu, tomamos um café, compramos um jornal e sentamos na esquina.

(Cássio Almeida)

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Profeta cigana


Parou-me na rua,
aquela singela cigana.
Queria ler o meu futuro
na palma de minha mão.
Assim, bem simples.
Profecias feitas por alguém
que nem mesmo sei
nunca me viu nos olhos.
Como pudera alguém me profetizar
se nem mesmo eu
num todo me conheço.
Lado B, mundo particular,
no lugar onde me escondo,
lá ninguém me acha.

(Cássio Almeida)

Alguém que sonha demais

Por um instante perdeu-se o tempo.
E a eternidade pareceu-me tão pequena.
A hora gritava
e pegava-me pelo calcanhar.
Talvez por ser alguém que sonha demais
não percebia.
E no exército dos sonhos,
os minutos marchavam e batiam continência.

(Cássio almeida)

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Um rio no meu quintal


Qualquer hora dessas me serve
pé na estrada e vou.
A estrada que ia, mesma estrada que vem.
E não me escapa qualquer detalhe
gravado pelos olhos.

No meu quintal há um rio
onde navega a minha imaginação
vou até onde o rio possa me levar
não tenho medo não
do que possa encontrar
pego carona na correnteza e vou.

Eu deixo para trás a minha rua,
a minha sombra da Figueira,
e vou navegando por aí.

Há um rio no meu quintal
e pouco importa onde possa me levar
uma hora chegará o mar,
uma hora chegará o mar.

(Cássio Almeida)

Horizonte, amor e maresia


O amor é como o mar...
Ao mesmo tempo,
lindo e perigoso.
Há tantas razões para o amor
entre um olhar e o horizonte
que o próprio coração desconhece.
Razões inúteis.
Pois se tratando de amor,
não há razão suficiente
que defina ou resuma
a verdadeira razão
para amar.

(Cássio Almeida)

De janela aberta


Do 3º andar
no prédio que morava
no quarto que dormia
de janela aberta
pela janela eu sonhava.
Acordado ainda
eu via a luz da lua
e quando não tinha
eu então contava mundos
chamando o sono que fugia.
E tomava um susto
quando um morcego, uma coruja,
desembestada a bater no vidro.
No dia de noite cinza
relâmpagos ao fundo
clareava tudo.
Trovão! Tremia o vidro,
e começava a chuva sonífera.
De repente me pegava
sonhando acordado.
A janela dos olhos ainda pesados
fui molhar a cara na chuva.
Já tinha futuro,
a chuva,
já tinha passado.

(Cássio Almeida)